18/11/2017 às 07h37min - Atualizada em 18/11/2017 às 07h37min

Suspeitos de matar adolescente com 84 facadas são julgados no Gama

Jbr
"Tudo o que eu quero é que eles paguem pelo crime que cometeram", Hareta da Silva Bezerra, mãe da vítima. Foto: Breno Esaki

Um crime cruel e ainda sem motivação concreta. Assim é definido o caso envolvendo a morte da adolescente Erika Bezerra da Silva, de 14 anos, no dia 23 de setembro de 2015. Na ocasião, quatro suspeitos mataram a jovem com 84 facadas e diversos chutes em um beco da quadra 25 do Setor Leste do Gama. Dois anos depois do crime, no entanto, os criminosos ainda não foram condenados e estão sendo julgado nesta sexta-feira (17).

A juíza do Tribunal do Júri do Gama, Maura de Nazaréth, afirma que a demora do julgamento se deve ao número de réus. “O processo, quando tem mais de um réu, tende a ser um pouco mais complexo e demorado. Além disso, também foram feitas muitas diligencias”, expõe. Ao longo dos anos, a linha de investigação sofreu diversas mudanças.

Motivação

Inicialmente, acreditava-se que a vítima havia sido assassinada após se recusar a fazer sexo com um dos suspeitos. No entanto, essa possibilidade logo foi descartada. Agora, a promotoria acredita que a principal motivação para o crime teria sido vingança.

De acordo com a investigação, Erika teria ido passar um tempo na casa de uma amiga, no Gama, e acabou conhecendo o irmão dela: Alex Silva dos Prazeres, de 22 anos. O jovem acusou a adolescente de furtar alguns objetos da mãe dele e a expulsou de casa. Pouco tempo depois, no mesmo dia, a menina apareceu morta.

Um segundo suspeito, Rômulo Colbert Torres Maciel Júnior, de 21 anos, assumiu a autoria do ataque. Segundo o rapaz, ele e um terceiro comparsa, Wesley Lago de Jesus, de 22 anos, teriam se revezado nos golpes de faca. Enquanto isso, Ingrid Queiroz da Silva, de 21 anos, chutava a cabeça da vítima. Em depoimento, Rômulo informou que não gostou de saber de um possível furto “em sua área”. Com isso, os quatro decidiram atrair Erika até o beco e matá-la.

O promotor do caso, João Sá, afirma, porém, que não há como comprovar exatamente o que aconteceu. “Foi o próprio Alex que revelou a versão sobre o furto. Wesley e Rômulo chegaram a confirmar. Mesmo assim, não encontramos qualquer prova ou evidência que comprove que Erika tenha cometido esse furto”, pondera.

Família pede Justiça

A mãe da vítima, a assistente de cozinha Hareta da Silva Bezerra, contou que a filha tinha saído de casa para dormir na residência de uma amiga. “Ela sempre falava comigo no WhatsApp. No dia do crime, estávamos conversando e ela me disse que estava participando de uma festa no Gama. Essa foi a última vez que falei com ela”, desabafou.

Agora, Hareta diz que o que mais quer é Justiça. “É difícil. É muito complicado não saber o que aconteceu de fato. Tudo o que eu quero é que eles paguem pelo crime que cometeram e também descobrir a verdade sobre o que aconteceu”, revela. Erika era a mais velha entre os cinco irmão e sempre ajudava a mãe nas tarefas de casa.

Os familiares aguardam o término do julgamento, que deve se estender ao longo de toda esta sexta. Os suspeitos foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima. Como Wesley recorreu a pronúncia, seu recurso será julgado e ele responderá separadamente pelo crime. Até o início da tarde, apenas as testemunhas tinham sido ouvidas.


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