04/09/2018 às 07h25min - Atualizada em 04/09/2018 às 07h25min

Vítima de feminicídio no DF, Simone lutou para não morrer

Segundo informações preliminares do laudo cadavérico, a moça tinha cortes nas mãos, braços e perna, o que indica tentativa de defesa

Metrópoles

21ª vítima de feminicídio no Distrito Federal em 2018 lutou pela vida. Simone de Sousa Lima, 26 anos, morta a golpes de facão pelo ex-companheiro na manhã desta segunda-feira (3/9), em Santa Maria, tentou escapar de seu algoz.

Informações preliminares do laudo cadavérico apontam que a moça apresentava cortes nas mãos, braços e perna. Isso leva a crer que ela tentava se livrar dos ataques desferidos por Josias Sacramento dos Santos, 40. No fim da tarde desta segunda, a Justiça expediu o mandado de prisão preventiva em nome do suspeito.

De acordo com o delegado-chefe da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria), Rodrigo Têlho, que investiga o caso, há sinais de luta corporal. “Encontramos manchas de sangue nas paredes e estamos aguardando o resultado final dos laudos para traçar a dinâmica do crime”, adiantou.

Os policiais ainda encontraram resquícios de cocaína sobre uma mesa que ficava na sala da residência. O delegado ressaltou que existem equipes nas ruas buscando pelo criminoso, o qual permanecia foragido até a última atualização deste texto.

“Fiz uma merda, matei minha esposa”
O delegado Rodrigo Têlho ressaltou que, momentos após o crime, Josias procurou o cunhado na residência dele e disse: “Fiz uma merda, matei minha esposa”.

O suspeito pediu ajuda para fugir, mas o familiar negou e alegou que o carro estaria quebrado. Por volta das 10h30, o cunhado do acusado acionou a polícia. Josias, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, tinha uma banquinha de carteado na região.

O crime ocorreu por volta das 6h desta segunda-feira (3/9), na QR 517, Conjunto C, Casa 18, em Santa Maria. Simone foi encontrada morta na residência do ex-companheiro. De acordo com o delegado cartorário da 33ª DP, Paulo Fortini, a família informou que a vítima estava grávida de dois meses. O casal tem um filho de 2 anos.

Simone teria sido chamada por Josias para ir até a residência dele na manhã desta segunda. No mesmo dia, segundo o delegado, os dois teriam audiência na Justiça relacionada à medida protetiva que havia sido concedida pelo Juizado de Santa Maria.

Ocorrências
A vítima levou diversos golpes de facão. Um dos cortes, bem profundo, na perna esquerda, pode ter atingido a veia femoral. Ainda de acordo com o policial, constam três ocorrências contra o acusado do crime: por ameaça, injúria e lesão corporal. “Era um relacionamento muito conturbado”, disse Paulo Fortini. Josias responde ainda por porte ilegal de armas, em 2017, e receptação de veículo roubado, em 2016.

No ano passado, por duas vezes, nos meses de setembro e dezembro, Simone registrou queixa de violência doméstica contra Josias. Mas os familiares contaram à polícia que o relacionamento era marcado por idas e vindas. Embora estivesse morando na casa dos pais, Simone encontrava-se com Josias na quitinete onde ele morava de aluguel.

O proprietário do imóvel, que reside no mesmo lote, viu o momento quando o homem saiu correndo e deixou o imóvel todo aberto. Ele achou estranho. Entrou na casa e viu o corpo de Simone caído no chão.

Antes, a testemunha contou à corporação ter ouvido um grito. “Ele teria sido informado, pelo irmão da vítima, que Simone teria ido à residência do ex e não respondia às mensagens dele. Quando foi checar, viu o corpo e acionou a polícia”, destacou Fortini.

21 feminicídios
Esse foi o 21º feminicídio registrado no Distrito Federal apenas em 2018. No dia 26 de agosto, uma mulher de 44 anos foi assassinada dentro de casa no Distrito Federal. O crime ocorreu na Quadra 1, Conjunto B da Fazendinha, no Itapoã. Maria Regina Araújo levou 20 facadas. O autor, de acordo com a polícia, era marido da vítima: Eduardo Gonçalves, preso na sexta-feira (31/8).

O companheiro da mulher confessou, em depoimento à Polícia Civil, ter matado Maria Regina devido a uma suposta tentativa de agressão por parte dela. O assassinato ocorreu na frente da filha da vítima, de 8 anos. A criança foi encaminhada para os cuidados do serviço social.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para prestar os primeiros socorros, mas a mulher já estava morta quando os militares chegaram. Maria Regina teria sido atingida nas costas e no pescoço. Conforme informações da polícia, a vítima havia registrado ocorrência contra o marido por violência doméstica. No entanto, a Justiça negou medida protetiva a ela.

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