25/02/2019 às 06h51min - Atualizada em 25/02/2019 às 06h51min

Abandonados, prédios da PM e da PRF viram endereço do crime na capital

Em diversas RAs, há unidades de forças de segurança inativas. Além do desperdício de dinheiro público, pontos passaram a abrigar bandidos

METRÓPOLES

Celulares bem-escondidos, carteiras no bolso da frente e mochilas carregadas com firmeza. Os cerca de 10 mil passageiros que passam diariamente pela Rodoviária do Gama andam assustados. No local, sobram relatos de furtos, roubos e tráfico de drogas em plena luz do dia. Os episódios de violência são recorrentes no terminal da sétima maior cidade do Distrito Federal, que já gozou de dias mais tranquilos.

Há dois anos, o principal ponto de embarque e desembarque de usuários de ônibus da região administrativa (RA) era considerado pacato, em razão da unidade avançada do 9º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A presença de homens e mulheres fardados inibia diuturnamente a criminalidade no local.

Após o fechamento da instalação, crimes passaram a ocorrer com frequência e a qualquer hora do dia ou da noite, segundo comerciantes e passageiros. Vendedora de uma banca de bolsas e malas, Luciene Pereira Rocha, 45 anos, teve de correr atrás de um ladrão que acabara de furtar seu celular. O caso ocorreu na quarta-feira (20/2).

 

“Como vi que ele não estava armado, corri atrás dele e gritei por socorro. Outras pessoas me ajudaram a alcançá-lo e imobilizá-lo. A polícia só chegou depois de 30 minutos. Quando o batalhão estava aberto, isso nunca tinha acontecido”, lamenta.

A queixa de não poder contar com estruturas erguidas para abrigar forças de segurança não se restringe aos moradores do Gama.

Nesta reportagem da série DF na Real, o Metrópoles cortou o Distrito Federal para mostrar dezenas de edificações das instituições ligadas à segurança pública abandonadas. Além de deixarem determinadas regiões vulneráveis à criminalidade, os prédios em desuso denotam flagrante desperdício de recursos públicos.

Segundo Comando de Policiamento do 9º Batalhão da PMDF, na Rodoviária do Gama:

 

Tráfico e crimes na Vila DVO
A Vila DVO, também no Gama, é outra comunidade que sofre com o encerramento das atividades de uma repartição da PMDF erguida na avenida principal do bairro. Essa estrutura, de quatro cômodos, contava com policiamento fixo até 2015, mas acabou tendo as portas fechadas – para lamento dos moradores.

Negligenciada pelo poder público, a edificação virou um dos lugares mais temidos da Vila DVO. Dentro, há fezes, lixo, preservativos usados e um odor quase insuportável de urina. Também é possível ver latas queimadas – o utensílio é o principal instrumento para se fumar crack nas ruas. No início de 2016, o imóvel ficou em condição ainda mais deplorável, após ser incendiado por vândalos.

O estudante Vinícius Moreira de Andrade, 20 anos, confirma que o sossego acabou após o abandono do posto da PMDF. “Se não vão mais ocupar, poderiam pelo menos demolir tudo, porque hoje ele só serve para abrigar traficante de drogas. Ninguém tem coragem de passar perto”, queixa-se.

Veja imagens da unidade da PMDF abandonada na Vila DVO: