12/03/2019 às 07h47min - Atualizada em 12/03/2019 às 07h47min

Juiz absolve bombeiro acusado de participar de racha na L4 Sul

Para magistrado, o outro envolvido não agiu com dolo e teve caso remetido a uma Vara Criminal Comum. No acidente, duas pessoas morreram

A Justiça absolveu, nesta segunda-feira (11/3), “sumariamente”, o bombeiro militar Noé Albuquerque Oliveira, acusado de participar de um racha na L4 Sul que resultou em duas mortes. Na mesma sentença, o magistrado remeteu o caso de Eraldo José Cavalcante Pereira, outro suspeito de participar do ocorrido, a uma Vara Criminal Comum – antes, ele seria julgado pelo Tribunal do Júri. Eraldo dirigia o carro que atingiu o veículo das vítimas.

A decisão é do juiz substituto Frederico Ernesto Cardoso Maciel, que ainda determinou a devolução da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Noé.

 

O acidente ocorreu por volta das 19h30 de 30 de abril de 2017, um domingo. Testemunhas afirmam que a Land Rover Evoque de Noé e o Jetta de Eraldo estavam emparelhados, em alta velocidade, na via.

Segundo Eraldo, ele teria perdido o controle do Jetta e atingido um Fiesta onde estavam quatro pessoas da mesma família. A força foi tanta que o carro das vítimas capotou.

A traseira do veículo ficou completamente destruída. No banco de trás, devidamente presos ao cinto de segurança, estavam Cleusa Maria Cayres, 69 anos, e Ricardo Clemente Cayres, 46 – respectivamente, mãe e filho. Para eles, não houve tempo de socorro: morreram após o impacto.

Em audiência de instrução feita em abril de 2018, Eraldo confirmou que dirigia a 110 km/h, conforme apontado em laudo da Polícia Civil.

“Revolta”
Nesta segunda (11), a viúva de Ricardo, Fabrícia de Oliveira Gouveia, disse ao Metrópoles ter entrado em estado de choque ao receber a notícia da absolvição. Ela conta que foi tomada por uma tristeza que não sentia desde quando recebeu a notícia da morte do marido e da sogra.

Pelo Ministério Público, eles foram denunciados por homicídio triplamente qualificado e duas tentativas de homicídio, não foi nem lesão corporal. Como pode ser esse o resultado?"
Fabrícia Gouveia, viúva de Ricardo

Ela diz que sentiu “revolta” e ainda não teve coragem de contar sobre a absolvição aos parentes do marido. “Eu olho esse processo diariamente e, no dia em que fui ao IML [Instituto Médico Legal] reconhecer os corpos, prometi a eles que a justiça seria feita. Num momento em que a gente vê o aumento de crimes de trânsito por conta do álcool, não é essa a resposta que se espera da Justiça.”

 

O advogado de defesa de Noé e Eraldo, Alexandre Queiroz, disse que “reitera o respeito aos familiares das vítimas, porém, neste momento, não poderia deixar de externar sua satisfação na medida em que a Justiça acolheu a tese defensiva com base na prova produzida nos autos, notadamente a prova técnica [laudos periciais]”.

 

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