Quinta-feira, 26/02/26

Operação policial ‘Cliente Fantasma’ mira empresa suspeita de lavar dinheiro com falsos usuários

Operação policial ‘Cliente Fantasma’ mira empresa suspeita de lavar dinheiro com falsos usuários
Operação policial ‘Cliente Fantasma’ mira empresa suspeita de lavar dinheiro – Reprodução

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (25), a Operação Cliente Fantasma e cumpriu mandados de busca e apreensão contra a instituição financeira BMP (antiga BMP Money Plus) em São Paulo, investigada por facilitar a lavagem de mais de R$ 25 bilhões, incluindo recursos ligados a organizações criminosas.

Em nota, a BMP afirma que “está colaborando integralmente com as autoridades e prestando todos os esclarecimentos necessários, fornecendo todas as informações sobre as operações antigas de ex-clientes que foram objeto de apuração”. A instituição diz seguir com a operação dos seus produtos normalmente.

A BMP fornece infraestrutura bancária para que empresas ofereçam serviços como conta digital, Pix e cartões aos seus clientes (empresas e fintechs), sem precisar ser um banco.

Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal na capital paulista e em Barueri. As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Os agentes realizaram buscas na sede da instituição, localizada na avenida Paulista, e também nos endereços do presidente do banco e do responsável pelo setor de compliance.

Segundo a Polícia Federal, embora regularmente autorizada a operar pelo Banco Central, a empresa permitia movimentações sem a identificação adequada dos usuários e deixava de comunicar operações obrigatórias aos órgãos de controle.

A omissão teria permitido que clientes permanecessem “blindados” contra quebras de sigilo bancário e bloqueios judiciais, dificultando o rastreamento de valores e a repressão a atividades ilícitas.

O inquérito também aponta que a instituição não realizava comunicações obrigatórias de operações suspeitas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o que, segundo os investigadores, contribuiu para a ocultação e dissimulação da origem ilícita de recursos movimentados.

De acordo com a PF, as investigações indicam que a prática envolvia a manutenção de clientes “invisíveis” aos sistemas de controle, mecanismo que teria facilitado o trânsito de grandes volumes financeiros sob suspeita.

Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações ao órgão regulador e lavagem de capitais.

Os envolvidos poderão responder por crimes contra o sistema financeiro, omissão de informações e lavagem de dinheiro. A operação é um desdobramento de ações anteriores da PF, e as investigações continuam para identificar todos os participantes e dimensionar o volume total das fraudes.

INVESTIGAÇÕES DE FRAUDES NO PIX

Sob o antigo nome BMP Money Plus, a instituição já havia aparecido em investigações relacionadas a fraudes no Pix. Entre junho e setembro do ano passado, ataques cibernéticos ao sistema de pagamentos deixaram um prejuízo estimado em R$ 1,5 bilhão. Em um dos casos, R$ 541 milhões foram desviados a partir da BMP Moneyplus em 30 de junho, segundo relatos levados ao Fórum Pix.

Parte dos recursos foi direcionada a contas mantidas em participantes indiretos do sistema. A fintech Soffy, que recebeu cerca de R$ 270 milhões desse montante, teve a participação no Pix suspensa. Na época, a empresa afirmou que a conta que recebeu os valores não era de sua titularidade, mas de um cliente parceiro.

Em resposta às fraudes, o Banco Central endureceu as exigências para empresas que operam no Pix por meio de contrato com uma instituição autorizada. Em dezembro, a autoridade informou que 31 dessas instituições terão de se adequar às novas regras até 4 de março, sob risco de exclusão do sistema; outras 39 já estariam em conformidade.

As novas normas incluem envio de formulário completo de avaliação de risco, com dados sobre movimentações e valores sob custódia, além da criação de uma matriz para identificar falhas sistêmicas de segurança. O BC também tornou obrigatório o Mecanismo Especial de Devolução (MED) a partir de fevereiro de 2026 e ampliou o rastreio de transferências suspeitas.

A autoridade monetária trabalha ainda na definição de critérios para caracterizar “fundada suspeita de fraude” e no desenvolvimento de um indicador de probabilidade de golpe com base em análise de dados.

T LB

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