Uma pesquisa do Instituto Locomotiva revela que 47% das mulheres brasileiras já sofreram alguma forma de assédio sexual no Carnaval, enquanto 80% delas expressam medo de passarem por situações semelhantes. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (11), foi realizado com 1.503 pessoas acima de 18 anos, representando a população brasileira.
De acordo com os resultados, 86% dos entrevistados concordam que o assédio sexual ainda persiste na folia. A diretora de pesquisa do instituto, Maíra Saruê, destaca que o problema vai além da festa, afetando o direito ao lazer e à ocupação de espaços públicos. “A gente está falando do direito de ir e vir, mas também do direito ao lazer, e do acesso à cidade, da possibilidade de viver na cidade e de ocupar os espaços públicos. São questões super importantes”, afirma ela.
O assédio interfere na forma como as mulheres aproveitam o Carnaval, obrigando-as a adotar estratégias de proteção, como andar em grupo, planejar rotas seguras e evitar certos horários. O levantamento identificou diferenças significativas nas percepções entre homens e mulheres. Por exemplo, 22% dos brasileiros concordam que quem pula Carnaval sozinho “quer ficar com alguém” (28% entre homens e 16% entre mulheres); 18% acreditam que a roupa usada pode indicar intenção de beijar (23% homens e 13% mulheres); e 17% consideram que, no Carnaval, “ninguém é de ninguém” (20% homens e 14% mulheres).
Além disso, 10% dos entrevistados, sendo 12% dos homens, acham aceitável que um homem “roube” um beijo de uma mulher alcoolizada durante a festa. Maíra Saruê observa que esses pensamentos justificam a violência e podem afastar as mulheres da folia, pois elas temem ser assediadas.
No aspecto positivo, 86% dos entrevistados defendem que combater essas violências é responsabilidade de todos, com 89% de concordância entre mulheres e 82% entre homens. Ademais, 96% reconhecem a importância de campanhas contra o assédio no período carnavalesco. “Isso tem que ser uma responsabilidade coletiva, porque não é um problema das mulheres, é um problema da sociedade como um todo. A gente precisa mudar o comportamento de todo mundo para que as mulheres sejam encaradas de outra forma e os homens mudem de atitude”, conclui a diretora.
Com informações da Agência Brasil








