Terça-feira, 10/02/26

Piloto suspeito de exploração sexual deixava claro que ‘gostava de criança’, diz delegada

piloto da latam preso
Piloto suspeito de exploração sexual deixava claro que ‘gostava de – Reprodução

Apontado como líder de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes, o piloto Sergio Antonio Lopes, 60, preso nesta segunda (9) durante uma operação policial que investiga crimes de abuso sexual, aliciava mães e avós das vítimas e exigia fotos e vídeos das crianças.

“Nos encontros, ele deixava claro: ‘Gosto de crianças’”, afirmou a delegada Ivalda Aleixo, do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) de São Paulo. Em troca, conforme a apuração, ele dava aos responsáveis pequenas quantias e pagava medicamentos, aluguel e até TV.

A polícia afirma já ter identificado dez vítimas e investiga se ele cometia os crimes há pelo menos oito anos. A Folha tenta contato com a defesa do piloto, mas ainda não obteve retorno.

A Polícia Civil aponta que o suspeito produzia, armazenava e compartilhava material de pornografia infantil, além de ameaçar as vítimas para manter o esquema em funcionamento.

“Um dos casos envolve uma, avó de duas adolescentes, presa por vender as próprias netas para exploração sexual. Uma das vítimas hoje tem 18 anos, mas os abusos começaram quando ela tinha cerca de 13. A outra tem atualmente 14 anos e passou a ser abusada por volta dos 11”, afirma a delegada.

Há ainda vítimas que não pertencem à mesma família. Uma adolescente de 14 anos relatou que os abusos começaram quando tinha 11. Outra vítima identificada tem hoje 16 anos. Ao todo, a polícia já confirmou vítimas de 14, 16 e 17 anos.

No celular do piloto, os investigadores encontraram vasto material com fotos e vídeos de diversas meninas, inclusive crianças muito pequenas. “Há imagens de menores que ainda nem foram identificadas e que serão analisadas no decorrer da investigação”, diz Ivalda.

Segundo a delegada, Lopes costumava buscar vítimas em regiões periféricas. “Ele usava o dinheiro que tinha para comprar relações sexuais, fotos e vídeos. Em muitos casos, fazia com que uma vítima aliciasse outra, pedindo que chamasse amigas, criando um laço de confiança”, explica.

A investigação começou em outubro, após denúncia feita por uma das vítimas. “Não foi denúncia anônima. Foi uma vítima que procurou a polícia e relatou os fatos”, afirma a delegada. O caso segue em investigação para identificação de novas vítimas e possíveis outros envolvidos na rede criminosa.

COMO FOI A PRISÃO

O piloto da Latam se preparava para operar o voo LA3900, com destino ao Rio de Janeiro, quando foi detido no aeroporto de Congonhas.

A Latam afirmou que abriu apuração interna e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. “A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”, afirmou em nota.

As duas prisões fazem parte da operação Apertem os Cintos da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), que investiga essa rede de estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual de criança e adolescente, que funcionava havia oito anos.

Além das duas prisões, a operação cumpre oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados.

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública) do estado, são investigados crimes de estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de criança e adolescente, uso de documento falso, produção, armazenamento e compartilhamento de material de pornografia infanto-juvenil, perseguição reiterada (stalking), aliciamento de crianças e coação no curso do processo, “evidenciando grave violação à dignidade sexual de crianças e adolescentes”.

T LB

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