Quinta-feira, 15/01/26

Prefeito de Cubatão busca apoio federal contra fechamento de fábricas petroquímicas

Prefeito de Cubatão busca apoio federal contra fechamento de fábricas petroquímicas
Prefeito de Cubatão busca apoio federal contra fechamento de fábricas – Reprodução

O prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), anunciou planos de viajar a Brasília para solicitar apoio do governo federal após o fechamento de unidades industriais da Unigel e da Yara Brasil Fertilizantes na cidade. A iniciativa visa reverter o declínio do polo petroquímico local, que enfrenta desafios como políticas tarifárias inadequadas e importações de fertilizantes.

Nascimento pretende se reunir com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, acompanhado de representantes políticos, empresariais e sindicais da Baixada Santista. O prefeito defende a revisão da política tarifária sobre o setor petroquímico, especialmente em relação à importação de fertilizantes, e pede celeridade na investigação de dumping nas exportações chinesas de produtos siderúrgicos, iniciada pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A Unigel, uma das principais petroquímicas do Brasil, paralisou em 8 de janeiro sua fábrica de estireno e tolueno em Cubatão após quase 70 anos de operação. A empresa, em recuperação judicial desde outubro de 2023 com uma dívida superior a R$ 5 bilhões, atribui a decisão a uma baixa global na indústria química, marcada por sobreoferta de commodities petroquímicas desde 2023. A produção será transferida para unidades em Guarujá e São José dos Campos, afetando cerca de 70 trabalhadores diretos e 30 indiretos em Cubatão.

Anteriormente, em fevereiro de 2023, a Yara Brasil Fertilizantes interrompeu suas operações em Cubatão e Paulínia, contribuindo para o esvaziamento do polo industrial. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e de Fertilizantes da Baixada Santista (Sindquim), Herbert Passos Filho, lamentou o fechamento, destacando que Cubatão já foi o principal polo produtor de fertilizantes do país. Ele aponta para a dependência brasileira de importações, que caiu a produção nacional de 11 milhões para 6 milhões de toneladas anuais desde 2008, enquanto o consumo subiu para mais de 41 milhões.

O declínio de Cubatão remonta à privatização da Cosipa em 2016, que resultou na perda de 15 mil empregos e no fechamento de empresas dependentes. No auge, as indústrias petroquímicas empregavam 12 mil trabalhadores; hoje, cerca de 3 mil. A cidade, outrora símbolo da industrialização paulista e conhecida pela ONU como o município mais poluído do mundo na década de 1980, enfrenta um processo de desindustrialização que enfraquece a economia nacional.

Em resposta, Nascimento ofereceu isenções fiscais à Unigel e propôs que prefeitos da Baixada Santista se unam para pedir incentivos federais e estaduais. Políticas recentes incluem a retomada do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) em 2023 e a Lei nº 15.294, que cria o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) com incentivos fiscais de mais de R$ 10 bilhões até 2031. Além disso, o Convênio ICMS nº 26/2021 aumentou gradualmente a tributação sobre fertilizantes importados, alcançando 4% em dezembro de 2023, apesar de resistências do agronegócio.

Durante visita à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em 15 de janeiro, Alckmin reconheceu as dificuldades de competitividade da indústria petroquímica brasileira, atribuindo-as à concorrência internacional. Ele destacou o Reiq, que reduz impostos sobre insumos, e defendeu práticas de defesa comercial alinhadas à Organização Mundial do Comércio (OMC), em diálogo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) expressou lamento pelo fechamento e cobra medidas complementares aos programas Nova Indústria Brasil e Brasil Mais Produtivo para enfrentar gargalos e conter a desindustrialização iniciada nos anos 1980.

T LB

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