Domingo, 01/03/26

Presidente do Irã promete vingança: ‘não só um direito legítimo, mas um dever’

Presidente do Irã promete vingança: 'não só um direito legítimo, mas um dever'
Presidente do Irã promete vingança: ‘não só um direito legítimo, – Reprodução

(Folhapress) Um dia após a morte do líder supremo do Irã e de boa parte da cúpula militar do país em um ataque promovido pelos Estados Unidos e Israel, a teocracia busca demonstrar que está viva, dando os primeiros passos para a sucessão de Ali Khamenei.

Segundo a mídia estatal, o presidente Masoud Pezeshkian reapareceu neste domingo (1º). Ele havia sido um dos alvos do ataque do sábado (28). Em comunicado, ele afirmou que o ataque foi “uma declaração de guerra contra os muçulmanos”, e a vingança, “um direito legítimo e um dever”.

À direita, presidente do Irã, Masoud Pezeshkian (Foto: redes sociais)

Ato contínuo, foi confirmada a composição do chamado Conselho de Liderança Interina, que ocupará as funções de Khamenei até a escolha de um sucessor, o que ocorrerá quando for reunida a Assembleia dos Peritos, com 88 membros.

Além de Pezeshkian, integram o conselho o aiatolá Alireza Arafi, 1 dos 12 membros do central Conselho dos Guardiões, e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei. Não há um prazo estimado para o processo de escolha, que é altamente opaco.

Aiatolá Ali Khamenei, morto no Irã (Foto: redes oficiais)

Com a morte do presidente radical Ebrahim Raisi em um obscuro acidente de helicóptero em 2024, o idoso Khamenei ficou sem sucessor óbvio. A partir dali, a especulação era de que um dos filhos do aiatolá, Mojtaba, hoje com 56 anos, seria o nome escolhido.

Ocorre que ser líder supremo não é um direito hereditário, e outros nomes surgiram, a maior parte do estamento religioso mais conservador. Trump chegou a dizer que “tinha um nome mente” para liderar o Irã, mas presume-se que ele conta primeiro com a queda do regime.

Aiatolá Ali Khamenei, morto no Irã (Foto: redes oficiais)

Ele tenta se sustentar e mostrar força com a campanha de retaliação ampliada neste domingo, algo que precisa enfrentar o teste de um conflito mais prolongado e mais pressão por parte dos EUA e de Israel. Além do conselho interino, a poderosa Guarda Revolucionária, cujo comandante foi morto no sábado, tem um novo chefe.

O general Ahmed Vahidi, que foi anunciado, tem um mandado de prisão emitido pela Interpol por suspeita de organizar o maior atentado da história da América do Sul, a explosão de uma entidade judaica em Buenos Aires que matou 85 pessoas em 1994.

A mídia estatal iraniana confirmou neste domingo que a cúpula militar do país foi morta durante uma reunião presencial para avaliar o ataque dos EUA e de Israel contra o país, em Teerã.

Morreram no bombardeio o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, o poderoso conselheiro de Defesa Ali Shamkhani, o ministrro Aziz Nasirzadeh e o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, além de outros oficiais. Israel afirma que cerca de 40 militares e cientistas nucleares foram mortos no ataque.

Masoud Pezeshkian, presidente do Irã (Foto: redes oficiais)

Na frente doméstica, Teerã tenta mostrar unidade, apesar de o regime ter acabado de reprimir violentamente os mais importantes protestos contra a teocracia islâmica instalada em 1979.

Foram divulgadas imagens de moradores da capital e de outras cidades nas ruas lamentando o que agora chamam de mártir Khamenei, uma cena que foi vista em locais como a Índia, Iraque e no Paquistão, onde uma confusão deixou nove mortes numa procissão.

O Irã decretou luto oficial de 40 dias e mesquitas passaram a envergar a bandeira vermelha, símbolo do xiismo para a vingança devido ao derramamento de sangue. O país persa é o centro deste ramo minoritário do Islã, que no Oriente Médio é muito forte também no Iraque.

T LB

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