Segunda-feira, 02/03/26

Presidente do TCU afirma que BC concordou com inspeção sobre Master

Presidente do TCU afirma que BC concordou com inspeção sobre Master
Presidente do TCU afirma que BC concordou com inspeção sobre – Reprodução

Brasília, 12 – O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, afirmou ontem que o Banco Central concordou com a realização de uma inspeção para analisar a documentação do caso Master – liquidado em novembro passado pelo BC, que relatou a existência de “grave crise de liquidez” e “graves violações” às normas do sistema financeiro do País. Segundo Vital, esse processo de inspeção deve durar menos de um mês.

“O Banco Central quer o selo de qualidade do TCU. O Banco Central quer a segurança jurídica que o TCU pode dar, porque esse processo não é um processo meramente administrativo. É um processo administrativo e criminal”, disse o presidente da Corte, depois de se reunir com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Procurada, a autarquia não se manifestou sobre o que foi tratado no encontro.

A reunião ocorreu depois de o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, ter recuado e suspendido inspeção in loco que ele havia determinado para apurar a conduta do BC. A previsão agora é de que o processo seja submetido à análise do plenário da Corte. Antes, ele chegou a dizer que o BC havia se “precipitado” na sua decisão. Diante de pressões públicas, o próprio Vital do Rêgo passou a adotar nos últimos dias o discurso de que o trabalho do TCU é técnico e que não há como recuar na liquidação do Master.

O controlador do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ficar preso 12 dias, e hoje tem de cumprir medidas cautelares, como o uso da tornozeleira eletrônica. A disputa envolvendo o Master prejudica credores e também investidores de CDBs do banco, que ainda não sabem quando serão ressarcidos: o Fundo Garantidor de Créditos garante o pagamento de até R$ 250 mil por CPF.

‘PORTAS ABERTAS’

Vital ressaltou que a investigação sobre o Master seria um processo “absolutamente normal” e que a competência do TCU para acompanhar o caso é amparada pelos artigos 70 e 71 da Constituição, porque se trataria de um ato “administrativo e regulatório”. Essa apuração deve ajudar o BC ao reforçar a segurança jurídica, argumentou ele, repetindo que a competência da Corte de contas não envolve reverter a liquidação.

Sobre a inspeção acessar documentos que embasaram a liquidação do Master, Vital disse que o BC “abriu as portas” e que um calendário deve ser definido entre as áreas técnicas. Ele disse ainda que relatou a intenção de trabalhar com a autarquia em temas envolvendo o ressarcimento dos investidores do Master.

Jhonatan de Jesus também participou da reunião com Galípolo, mas não deu entrevista. Em nota, ele disse que “houve alinhamento quanto à competência do TCU para fiscalizar atos do banco, respeitados o sigilo documental e a discricionariedade técnica da autoridade monetária”. O texto fala ainda em tom “amistoso e cooperativo”.

Como o Estadão revelou, o ministro do TCU indicou R$ 42 milhões em emendas parlamentares para Roraima que se transformaram em obras inacabadas e asfalto de má qualidade. A maior parte da verba sumiu sem a prestação de contas sobre o que foi feito com o dinheiro. Em um conjunto de habitações populares que deveria ter 300 moradias desde 2024, só uma casa foi construída – e está abandonada.

As emendas foram indicadas entre 2020 e 2023, quando Jhonatan era deputado federal do Republicanos por Roraima. Procurado pela reportagem, ele negou desvio de finalidade nas indicações e afirmou que a execução e a prestação de contas são de responsabilidade dos Estados e dos municípios que receberam os recursos. (COLABORARAM DANIEL WETERMAN e VINÍCIUS VALFRÉ/BRASÍLIA)

T LB

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