Terça-feira, 24/02/26

Projeção da inflação dentro da meta reacende debate sobre cortes na Selic

Setor bancário unifica discurso em defesa do BC para blindar instituição de pressão política no futuro
Setor bancário unifica discurso em defesa do BC para blindar – Reprodução

A quinta redução consecutiva na projeção do IPCA para 2026, agora em 3,97%, recolocou no centro do debate a possibilidade de início do ciclo de cortes da Selic nos próximos meses. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa passou a ficar dentro do intervalo da meta de inflação, fixada em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O relatório também manteve a expectativa de Selic em 12,25% ao fim de 2026, além de crescimento do PIB de 1,8% no período e câmbio projetado em R$ 5,50. O conjunto de indicadores sinaliza convergência gradual das expectativas de inflação em ambiente de atividade moderada e juros ainda em patamar restritivo.

Para Matheus Portela, economista e diretor de gestão da VLGI Asset, empresa do grupo VLG Investimentos, o movimento reforça as condições para o início da flexibilização monetária, embora sob monitoramento. “A inflação vem se mantendo dentro da banda da meta, e as projeções do Focus indicam convergência para o centro nos próximos anos. Esse movimento, somado a sinais de desaceleração da atividade, como um PIB mais fraco, e a um câmbio mais comportado, reforça o cenário favorável ao início do ciclo de cortes”, afirma.

Segundo ele, a condução da política monetária tende a permanecer cautelosa. “O Banco Central deve buscar confirmação de que essa trajetória é consistente antes de acelerar a flexibilização”, diz. A avaliação considera o histórico recente de volatilidade inflacionária e a necessidade de manter as expectativas ancoradas.

Entre os fatores de risco, Portela destaca o cenário fiscal e o ambiente externo. “O principal ponto de atenção continua sendo o risco fiscal. A trajetória das contas públicas influencia diretamente as expectativas de inflação e os juros de longo prazo”, afirma. Ele acrescenta que a política monetária dos Estados Unidos e dados de atividade naquele país também podem influenciar o ritmo de cortes no Brasil.

No campo da alocação, o executivo avalia que a combinação de inflação em desaceleração e juros elevados exige estratégia equilibrada. “Os pós-fixados ainda oferecem retornos reais elevados e seguem sendo a principal escolha para liquidez e reserva. Com a perspectiva de queda da Selic, prefixados e títulos atrelados à inflação ganham atratividade para o longo prazo, tanto pelo carrego quanto pelo potencial de valorização com o fechamento da curva”, explica.

Ele ressalta que a antecipação desse movimento envolve risco. “Os maiores ganhos exigem que a alocação seja feita antes da consolidação dos cortes, o que demanda horizonte mais longo e tolerância a oscilações”, afirma. Ativos de renda fixa prefixados e IPCA+, além de ações e fundos imobiliários, tendem a se beneficiar do fechamento da curva de juros.

T LB

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