Segunda-feira, 02/03/26

Promotores do Gaeco pedem exoneração coletiva após MP do Maranhão defender soltura de investigados

Promotores do Gaeco pedem exoneração coletiva após MP do Maranhão defender soltura de investigados
Promotores do Gaeco pedem exoneração coletiva após MP do Maranhão – Reprodução

Uma crise institucional sem precedentes atingiu o Ministério Público do Maranhão (MPMA) neste fim de semana. Dez promotores de Justiça que integram o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) formalizaram pedido de exoneração coletiva das funções no órgão, após divergirem do posicionamento da Procuradoria-Geral de Justiça favorável à soltura de investigados presos na Operação Tântalo II.

O pedido foi encaminhado no domingo (11/1) ao procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, e é assinado por membros que atuam nos núcleos de São Luís, Imperatriz e Timon. No documento, os promotores afirmam que a manifestação da chefia institucional contraria a análise técnica construída ao longo da investigação, que apura o desvio de cerca de R$ 56 milhões em recursos públicos no município de Turilândia, no interior do estado.

Segundo os integrantes do Gaeco, as prisões preventivas foram decretadas com base em provas consideradas robustas pelo Judiciário e tinham como finalidade preservar a investigação, evitar a reiteração criminosa e impedir interferências políticas no curso do processo. Para o grupo, o parecer da Procuradoria-Geral fragiliza o combate ao crime organizado e compromete a credibilidade de apurações complexas conduzidas pelo Ministério Público.

No texto, os promotores afirmam que a divergência tornou insustentável a permanência no Gaeco. Ainda assim, informam que irão elaborar um relatório detalhado sobre o estágio das investigações, a fim de garantir a continuidade dos trabalhos por outros membros da instituição.

Parecer favorável à liberdade provisória

A exoneração coletiva ocorreu após o Ministério Público do Maranhão emitir parecer favorável à revogação das prisões do prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), da vice-prefeita, de vereadores, empresários e servidores investigados na Operação Tântalo II. Os suspeitos estavam presos desde a semana do Natal, acusados de integrar um esquema de corrupção baseado no uso de empresas de fachada, fraudes em licitações e pagamentos por serviços não executados.

Apesar de defender a soltura, o MPMA sustentou a manutenção do afastamento do prefeito do cargo e a imposição de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato entre investigados, recolhimento domiciliar noturno e restrição de acesso a órgãos públicos. O parecer foi assinado pelo procurador-geral de Justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, e encaminhado à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, que ainda irá decidir se acolhe ou não a manifestação.

Organização criminosa estruturada

As investigações do Gaeco apontam que uma organização criminosa teria se instalado na Prefeitura e na Câmara Municipal de Turilândia entre 2021 e 2025, com divisão de funções entre agentes políticos, empresários e operadores financeiros. De acordo com o Ministério Público, empresas fictícias eram utilizadas para a emissão de notas fiscais frias, possibilitando o desvio sistemático de recursos públicos, sobretudo das áreas da Saúde e da Assistência Social.

Parte dos valores desviados, conforme a apuração, teria sido repassada a vereadores para garantir a aprovação de contas e evitar fiscalizações. O esquema levou à deflagração da Operação Tântalo II, em dezembro, como desdobramento de uma fase anterior da investigação.

Impacto institucional

Nos bastidores, a exoneração coletiva é vista como um gesto extremo de insatisfação e evidencia um racha interno no Ministério Público do Maranhão. Em nota divulgada na manhã desta segunda-feira (12/1), o MPMA afirmou que “alterações em estruturas administrativas e em cargos de coordenação são eventos naturais na dinâmica institucional e não comprometem a continuidade das ações estratégicas”.

T LB

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