Com a chegada do verão, cresce a expectativa do mercado musical por faixas que ganhem destaque nas plataformas de streaming e nas redes sociais. Funk, pagode, brega, axé, sertanejo e até canções lançadas décadas atrás aparecem entre as apostas para se tornar a música mais ouvida do período em 2026. Com informações do O Globo.
Segundo Daniel Aguiar, editor de música e cultura da Deezer, canções que costumam se destacar nessa época reúnem referências regionais e elementos populares. “As faixas que costumam despontar carregam o puro suco do Brasil, essa mescla de influências regionais e gerais com as quais o brasileiro, do Oiapoque ao Chuí, se conecta por alguma razão que ele às vezes nem sabe qual é”, afirmou.
Entre os lançamentos recentes está “Jetski”, de Pedro Sampaio, com participação de Melody e MC Meno K. A música entrou no Top 100 global do Spotify antes da virada do ano. Daniel Aguiar aponta a mistura de estilos como um fator de alcance. “’Jetski’ tem uma pulsação de 150 BPM, original de funk; um beat que é mais ou menos um brega; e uns vocal chops, um efeito de Auto-Tune muito usado em música pop. É esse híbrido com o qual o brasileiro majoritariamente se conecta”, disse.
Outro gênero apontado como tendência é o pagode. Para Roni Maltz Bin, CEO do Grupo Sua Música, o crescimento do estilo está ligado ao desempenho recente de grupos do segmento. Ele cita “Alô Virgínia”, do Grupo Chocolate, com participação da Turma do Pagode, que alcançou posições de destaque no Spotify Brasil e no ranking global. “Tem muita gente apostando que virão outros grupos. O ‘Alô Virgínia’ está aí como um exemplo”, afirmou.
Integrantes do Grupo Chocolate relataram que o sucesso veio após uma sequência de lançamentos e estratégias de divulgação. “A gente foi lançando outras músicas, sempre testando, querendo que acontecesse um viral como esse”, disse Mateus Dias. Gabriel Rocha destacou a simplicidade da canção: “Ela tem uma dança fácil de fazer, criada pelo Lucas Guedes, e é fácil de cantar”.
A presença de artistas consagrados ao lado de novos nomes também aparece em outras apostas. Daniel Aguiar cita “Posso até não te dar flores”, do DJ Japa NK, com MC Ryan SP, MC Jacaré, DJ Davi DogDog e MC Meno K. “Essa faixa é um fenômeno do MTG, mas também tem uma pontinha de brega, com aquele beat de forró”, analisou.
No mesmo contexto, Anitta lançou “Gostosin”, em parceria com Felipe Amorim, dentro do projeto “Ensaios de Anitta”. A cantora afirmou que a música faz parte da proposta do período carnavalesco. “As músicas que lanço para o carnaval são menos sobre a busca do ‘hit do verão’, e mais sobre criar a trilha para o meu momento preferido do ano”, explicou. Sobre a faixa, acrescentou: “Isso é puro verão nas pistas e ruas pelo Brasil afora”.
No axé, Ivete Sangalo lançou “Vampirinha” durante o réveillon, canção que viralizou nas redes sociais e ganhou versão ao vivo nas plataformas. “’Vampirinha’ tem uma relação direta com a fantasia do carnaval. A ideia é diversão, duplo sentido e imaginação em alta voltagem”, disse a cantora.
Outros lançamentos citados como possíveis destaques incluem músicas de Leo Santana, Claudia Leitte e Daniela Mercury. Uma canção antiga também voltou ao debate: “Freak le boom boom”, de Gretchen, lançada em 1979, que voltou a circular após novas coreografias nas redes sociais. Daniel Aguiar comentou o fenômeno. “Criou-se, não sei por qual motivo, essa ideia de que a Gen Z não gosta de música velha”, afirmou.
O compositor da faixa, Mister Sam, comentou o retorno da canção. “Muita gente já fez remix, não emplaca, volta o original, não adianta”, disse, ao falar sobre o comportamento do público e do mercado musical.
Roni Maltz Bin também citou outras apostas, como “Eu me apaixonei”, de Vitinho Imperador, “Fanatismo”, de Yasmin Sensação, e “Saudade do carai”, de Nathanzinho Lima, Mari Fernandez e Grelo. “A música já está tocando no Brasil inteiro”, destacou.
No sertanejo, Daniel Aguiar aponta o crescimento do agronejo, estilo que mistura elementos do funk e da música eletrônica ao sertanejo. Entre as apostas estão “Eu só quero você”, de Ana Castela e Zé Felipe, e “Partiu pro litoral”, da dupla CountryBeat. “No som deles, a gente vai encontrar batidas de funk, de trap e várias nuanças do pop”, afirmou.
Para Roni Maltz Bin, o cenário atual indica a coexistência de vários sucessos simultâneos. “A gente não tem mais uma música do carnaval ou uma música do verão. Acho que a gente tem várias”, concluiu.








