Saleh Mohammadi, lutador de wrestling de 19 anos e integrante da seleção nacional do Irã, foi executado por enforcamento na madrugada desta quinta-feira (19/3), na Prisão Central de Qom. A execução, confirmada pela agência Mizan, ligada ao Judiciário iraniano, e por organizações de direitos humanos, ocorreu com a de outros dois homens: Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi.
Nascido em março de 2007, na cidade de Saveh, o atleta era considerado uma estrela em ascensão no esporte nacional iraniano. Em setembro de 2024, ele conquistou a medalha de bronze na Copa Internacional Saytiev, competição de wrestling freestyle realizada em Krasnoyarsk, na Rússia, representando a equipe nacional do Irã.
Apesar de negar envolvimento, Mohammadi foi acusado de participação na morte de dois policiais durante os protestos antigoverno que eclodiram em janeiro de 2026. Ele também teria participado das manifestações de novembro e dezembro de 2025, em meio a uma onda de revolta popular contra o regime dos aiatolás.
O crime imputado era de “moharebeh”, termo que significa inimizade contra Deus, punível com pena de morte no Irã, além de acusações de assassinato de agentes de segurança.
Sua prisão ocorreu em 15 de janeiro de 2026, poucos dias após os protestos em Qom. Em fevereiro, o Tribunal Criminal de Qom o condenou à pena de qisas (retaliação/retribuição em espécie) por supostamente ter matado um policial em 8 de janeiro, com ordem de execução pública no local do suposto crime.
Organizações como Iran Human Rights (IHRNGO), Hengaw e Amnesty International denunciaram o processo como injusto e destacaram que confissões foram obtidas sob tortura, negação de defesa adequada, proibição de testemunhas de álibi, incluindo familiares que afirmavam que ele estava em casa de um tio no momento, e ausência de evidências concretas, como imagens de câmeras que não o identificavam.








