CONFIRA A HISTORIA
Mãe da trancista relata dor permanente e diz que amor pela filha e netas sustenta luta diária por tratamento e dignidade
Trancista Thaís Medeiros de Oliveira, hoje com 28 anos, sofreu uma parada cardiorrespiratória provocada por reação alérgica ao cheiro de pimenta (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Há exatos 3 anos, a vida da trancista Thaís Medeiros de Oliveira, hoje com 28 anos, mudou completamente depois de uma parada cardiorrespiratória provocada por reação alérgica ao cheiro de pimenta. Desde então, a jovem, que é mãe de duas meninas, vive com sequelas neurológicas severas, depende de cuidados 24 horas e precisa de tratamento contínuo para se manter estável. A data reacende a dor da família, que relata uma rotina marcada por esforço emocional, financeiro e físico para garantir a sobrevivência dela.
A mãe da jovem, Adriana Medeiros, publicou mensagens emocionadas lembrando a data. “Filha, hoje faz três anos que sua vida mudou. Sinto tanto por tudo. Eu queria estar no seu lugar e você aqui cuidando de tudo. Saiba que te amo além da vida”, escreveu. Em outra publicação, ela desabafou: “Existem dores que o tempo não apaga, apenas ensina a conviver. A saudade mora em mim todos os dias, no silêncio, na memória e no amor que nunca diminui”.
Segundo Adriana, a família reorganizou totalmente a própria vida para cuidar de Thaís. “Paramos tudo para viver esse cuidado 24 horas. O amor pelas minhas netas me mantém de pé. Tento ser o colo e a força que sustentam nossa família”.
Reação alérgica ao cheirar pimenta
O caso teve início em fevereiro de 2023, quando Thaís estava na casa do então namorado, em Anápolis, e passou mal após cheirar pimenta em conserva durante o almoço. Ela foi levada inicialmente para Santa Casa de Anápolis e depois transferida para Goiânia. Ao chegar ao hospital, estava sem pulso e precisou ser reanimada.
A parada cardíaca durou cerca de 20 minutos e provocou edema cerebral e encefalopatia hipóxico-isquêmica severa, lesão causada pela falta de oxigênio no cérebro. Desde então, Thaís perdeu movimentos, fala e desenvolveu complicações pulmonares graves, passando a depender totalmente de terceiros e da ajuda de aparelhos.
Ela ficou mais de 80 dias internada, incluindo 20 na Unidade de Terapia Intensiva.
Atendimento depende de decisões judiciais e doações
Em agosto do ano passado, a Justiça Federal determinou o repasse de R$ 156.074,88 para custear seis meses de atendimento domiciliar especializado prestado pela empresa CaptaMed Cuidados Continuados Ltda.. O valor já estava bloqueado judicialmente e foi liberado para garantir o tratamento. Após esse período, a família precisa solicitar novo bloqueio para manter o serviço ativo.
Antes disso, a interrupção temporária do home care chegou a colocar a vida da jovem em risco. O modelo de assistência domiciliar, segundo a mãe, reduziu internações e se mostrou essencial para estabilidade clínica. Em 2025, por exemplo, ela teve apenas três reinternações hospitalares.
Mesmo com decisões judiciais, os custos continuam altos. Para complementar despesas com medicamentos, equipamentos e terapias, a família realiza rifas e campanhas online. Adriana também administra uma loja de roupas online com o nome da filha, já que não consegue trabalhar fora devido à dedicação integral aos cuidados com Thaís e as duas netas.
Negativa de atendimento público
A família afirma que tentou obter assistência domiciliar contínua pela rede pública, mas recebeu negativa da Secretaria de Saúde de Goiânia. Em nota, o órgão informou que o serviço 24 horas é destinado a pacientes com ventilação mecânica contínua e cuidados considerados altamente complexos, critérios nos quais Thaís não se enquadraria. A pasta disse ainda que ofereceu acompanhamento semanal de equipe de saúde, proposta que, segundo a secretaria, foi recusada pela família.
Rotina de luta diária
Sem estrutura estatal permanente, a casa virou praticamente uma unidade de tratamento. A fisioterapia respiratória busca evitar agravamento pulmonar e deformidades musculares, enquanto sessões de fonoaudiologia tentam reduzir riscos de aspiração e melhorar a deglutição.
Mesmo diante das dificuldades, Adriana afirma que não pensa em desistir. “O amor é o que me sustenta e a fé é o que me guia”, resume.
Três anos depois do episódio que mudou o destino da família, para a mãe, a data também simboliza resistência, cuidado contínuo e a esperança de que a filha mantenha estabilidade e qualidade de vida.








