Sexta-feira, 27/02/26

Relatório do Cemaden aponta 2025 como ano de extremos climáticos no Brasil

Relatório do Cemaden aponta 2025 como ano de extremos climáticos no Brasil
Relatório do Cemaden aponta 2025 como ano de extremos climáticos – Reprodução

O Brasil viveu em 2025 um dos anos mais extremos do ponto de vista climático das últimas décadas, conforme relatório anual divulgado em fevereiro pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O documento, intitulado ‘Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025’, destaca recordes de temperatura, chuvas intensas e secas prolongadas que afetaram centenas de municípios.

De acordo com dados internacionais citados no relatório, 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado no planeta, com temperatura média 1,47°C acima do nível pré-industrial, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus. No Brasil, o verão de 2024/2025 foi o sexto mais quente desde 1961, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia.

O país registrou sete ondas de calor ao longo do ano. Em fevereiro, Quaraí, no Rio Grande do Sul, alcançou 43,8°C, a maior temperatura nacional no período. Capitais como Rio de Janeiro, com máximas entre 42°C e 44°C, e São Paulo, que atingiu 37,2°C em dezembro — o maior valor para o mês em 64 anos —, enfrentaram marcas históricas. Esses episódios intensos geraram impactos na saúde pública, aumento no consumo de energia e pressão sobre sistemas urbanos.

O inverno não ficou atrás em extremos, com sete ondas de frio registradas, especialmente no Sul. Temperaturas negativas foram comuns, como –7,8°C em General Carneiro, no Paraná, e –4,5°C em São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul, acompanhadas de neve em áreas de maior altitude. Essa variabilidade, com calor e frio intensos, reflete a crescente instabilidade climática no território brasileiro.

Episódios de chuva intensa marcaram o Sudeste e o Sul. Em abril, Teresópolis, no Rio de Janeiro, acumulou 689,4 mm de precipitação, 548% acima da média histórica do mês. São Paulo registrou 125,4 mm em um único dia, em 24 de janeiro, o terceiro maior acumulado desde 1961. No Rio Grande do Sul, chuvas em junho afetaram mais de 120 municípios, causando alagamentos, transbordamentos de rios e deslocamentos de famílias.

Em contraste, secas prolongadas atingiram 503 municípios em condição severa ou extrema. Em novembro, oito unidades federativas — Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins — registraram seca em 100% do território. Em algumas regiões, o déficit hídrico durou até dez meses consecutivos.

O Sistema Cantareira, principal manancial da Região Metropolitana de São Paulo, encerrou o ano com apenas 20,2% do volume útil armazenado, o pior nível desde a crise de 2014/2015. O relatório atribui o agravamento à irregularidade das chuvas e ao aumento das retiradas de água acima da média histórica, destacando a urgência de planejamento e gestão integrada de recursos hídricos.

No âmbito da prevenção, o Cemaden emitiu 2.505 alertas de risco geo-hidrológico para 1.133 municípios. Foram registradas 1.493 ocorrências associadas a eventos hidrológicos e geológicos, como inundações, enxurradas e deslizamentos, embora o número seja inferior a anos de El Niño intenso, mas superior ao início da série histórica.

Mesmo sem influência significativa de El Niño ou La Niña, os eventos extremos ocorreram devido à combinação de variabilidade climática natural e aquecimento global, ampliando frequência e intensidade. O relatório reforça a necessidade de monitoramento contínuo, investimentos em ciência e integração entre pesquisa e gestão pública para mitigar impactos na segurança hídrica, infraestrutura, agricultura e qualidade de vida.

T LB

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