Terça-feira, 13/01/26

Revolta de agricultores com acordo UE-Mercosul chega aos portos da França

Revolta de agricultores com acordo UE-Mercosul chega aos portos da França
Revolta de agricultores com acordo UE-Mercosul chega aos portos da – Reprodução

Após uma semana de mobilização intensa, agricultores franceses revoltados com o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul iniciaram, nesta segunda-feira (12), uma nova semana de manifestações, visando portos e várias rodovias, com previsão de um novo protesto nesta terça-feira, em Paris.

Com a proximidade da assinatura do acordo, no próximo sábado, no Paraguai, os atos continuavam a se espalhar por toda a França, com uma barreira de controle montada no porto de Le Havre (noroeste), bloqueios nos portos de Bayonne e La Rochelle, no sudoeste, e operações perto de Lille (norte), na autoestrada A1, a mais concorrida do país, segundo sua concessionária.

Em Le Havre, primeiro porto francês em tráfego de contêineres, barreiras de controle foram instaladas com pneus em chamas, troncos de árvores e alguns tratores, sem paralisar a atividade portuária. Desde o fim de semana, agricultores inspecionam caminhões frigoríficos e verificam a procedência dos produtos.

Durante essas inspeções, previstas até, pelo menos, a noite desta segunda-feira, foram encontradas “farinha estrangeira, sopas de legumes tailandesas, produtos que não têm as mesmas normas de produção” que os franceses, criticou Justin Lemaître, dirigente sindical local, reivindicando “que a importação respeite nossos padrões de produção”.

Os apoiadores do acordo com o Mercosul (bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), fruto de mais de 25 anos de negociações, consideram o pacto essencial para estimular as exportações, sustentar a economia no continente e reforçar os laços diplomáticos em um contexto de incerteza global.

Mas, para seus críticos, o tratado vai prejudicar a agricultura europeia com produtos importados da América do Sul mais baratos e que não necessariamente respeitam as normas da UE, na falta de controles suficientes.

Como resultado, uma centena de agricultores bloqueou uma instalação de processamento de grãos para exportação até a metade desta segunda-feira no porto de Bayonne. O local, pertencente à empresa Maïsica, dedicada ao armazenamento, à secagem e ao carregamento de milho e outros cereais para a exportação, é um “símbolo forte”, anteciparam os manifestantes, que reforçaram sua oposição “histórica” ao acordo de livre-comércio.

‘Grande aflição’

Em La Rochelle, cerca de 60 manifestantes montaram uma barreira com fardos de palha em frente às instalações petrolíferas nesse porto industrial.

Perto de Nantes (oeste), desde a noite de domingo uma zona industrial está bloqueada, onde os manifestantes submetem à supervisão os caminhões perto de uma plataforma frigorífica de grande distribuição.

A mobilização, iniciada há um mês em oposição à gestão governamental da dermatose nodular contagiosa (DNC), uma doença grave que afeta os bovinos, também alcançou os eixos rodoviários, sobretudo na altura da A64, ao sul de Toulouse (sudoeste), e na A1, com uma barreira montada no sentido Lille-Paris.

“É de se perguntar se o Estado francês ainda quer seus agricultores”, criticou o horticultor Franck Hembert, na rodovia A1. “Com ou sem o Mercosul, os agricultores já estão em grande aflição.”

Além da França, manifestações também foram realizadas na Itália, Polônia e Irlanda para protestar contra o acordo com o Mercosul, que criaria uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores.

A ratificação do acordo depende de uma votação no Parlamento europeu, que se anuncia apertada e que não deve ocorrer antes de fevereiro. Uma grande concentração de agricultores está prevista em 20 de janeiro em frente à sede do Legislativo da UE, em Estrasburgo.

© Agence France-Presse

T LB

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