Sábado, 14/02/26

Rubio diz que EUA não querem se separar da Europa, mas apresenta futuro nos termos de Trump

Rubio diz que EUA não querem se separar da Europa, mas apresenta futuro nos termos de Trump
Rubio diz que EUA não querem se separar da Europa, – Reprodução

RICARDO DELLA COLETTA
FOLHAPRESS

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos não desejam encerrar a história aliança com a Europa, num discurso recebido com certa dose de alívio por líderes do continente.

Ele apresentou, porém, uma visão de futuro compartilhado sob os termos de Donald Trump que envolveu críticas à imigração massiva e ao que chamou de “culto climático”.

Rubio fez o discurso em Munique no qual disse que, nas últimas décadas, EUA e Europa cometeram erros conjuntos: terceirizaram soberania a organizações internacionais e abraçaram uma “visão dogmática de livre comércio”.

Num eco à retórica de Trump, o secretário de Estado disse que a imigração massiva tanto nos EUA quanto na Europa ameaça a coesão das sociedades e a continuidade da cultura Ocidental.

O auxiliar de Trump discursou na Conferência de Segurança de Munique, um dos principais fóruns de diplomacia e defesa do mundo, um ano depois de um pronunciamento de J.D. Vance, vice de Trump, que prenunciou uma série de crises entre as capitais europeias e Washington ao longo de 2025.

“Sob o presidente Trump, os EUA irão mais uma vez assumir a tarefa de renovação e restauração, movidos por uma visão de um futuro tão orgulhoso, vital e soberano como nossa civilização do passado”, disse Rubio.

“E enquanto estamos preparados para fazer isso juntos, é nossa preferência –e esperança– fazer isso conjuntamente com vocês, nossos amigos da Europa. Porque os EUA e a Europa devem estar juntos”.

Rubio ignorou as recentes tensões entre a União Europeia e os EUA em torno das ameaças de Trump de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, mas disse que os destinos de europeus e americanos estão entrelaçados.

Em seu discurso, o mais aguardado da conferência, Rubio defendeu um “novo século do Ocidente” marcado pela reindustrialização e pela criação de cadeias de suprimento não vulneráveis à China, ao mesmo tempo em que defendeu o fim das políticas de fronteiras abertas.

Também defendeu, assim como todas as autoridades presentes, que a Europa precisa ter os meios para defender a si mesma.

Rubio reservou algumas de suas críticas mais duras ao sistema internacional e à ONU (Organização das Nações Unidas) em particular, instituição que, segundo ele, precisa ser reformada.

“A ONU ainda tem tremendo potencial para ser uma ferramenta para o bem no mundo. Mas não podemos ignorar que hoje, nos assuntos mais críticos, ela não tem respostas e não teve praticamente nenhum papel”, disse, citando tanto a guerra em Gaza como os bombardeios americanos a instalações nucleares no Irã.

“Nós na América não temos nenhum interesse em sermos os cuidadores educados do declínio do Ocidente. Não buscamos nos separar, mas revitalizar uma antiga amizade e renovar a maior civilização da história humana”, afirmou.

T LB

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