Terça-feira, 24/02/26

TCDF suspende projeto do Museu da Bíblia após “explosão” de custos

TCDF suspende projeto do Museu da Bíblia após “explosão” de custos
TCDF suspende projeto do Museu da Bíblia após “explosão” de – Reprodução

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) decidiu, por unanimidade, suspender todos os atos de contratação e execução relacionados ao Museu Nacional da Bíblia. A decisão, proferida em sessão ordinária no dia 21 de janeiro de 2026, referenda uma medida liminar anterior e atende a uma representação protocolada pelos deputados distritais Gabriel Magno (PT) e Fábio Felix (PSol).

A denúncia dos parlamentares aponta uma série de ilegalidades que vão desde a manipulação de um concurso público de arquitetura até o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O ponto central da controvérsia é o descarte do projeto vencedor do Edital nº 05/2022 (conhecido como “Orla 14”). Segundo a representação, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) teria preterido o legítimo vencedor para contratar o segundo colocado (“Orla 13”).

Os deputados alegam que a troca foi baseada em critérios subjetivos, como a preferência estética do governo por “formas curvas”, e que o projeto favorecido recebeu permissão para ser alterado e barateado após o fim do certame, o que fere o princípio da isonomia entre os concorrentes.

Aumento de 184%

Os dados financeiros apresentados ao TCDF revelam um salto vultoso no orçamento da obra. Em 2021 a estimativa inicial era de R$ 26,3 milhões. Por sua vez, em 2025 o orçamento atualizado saltou para R$ 74,9 milhões.

O impacto mais grave recai sobre o Tesouro local. Enquanto o repasse federal via Caixa Econômica permaneceu fixo em R$ 14,1 milhões, a contrapartida exigida do Distrito Federal disparou de R$ 11,8 milhões para R$ 59,7 milhões — um aumento real de mais de 400% nos recursos retirados diretamente dos impostos dos cidadãos do DF.

“Anfiteatro Fantasma”

A denúncia detalha ainda a inclusão de um anfiteatro de 1.661 m², avaliado em R$ 14 milhões, que não estava previsto no edital original. O equipamento estaria planejado para uma área fora do lote destinado ao museu e já teria sido alvo de pareceres contrários do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) e de órgãos técnicos de urbanismo por desrespeitar as normas do Eixo Monumental. Para os parlamentares, a estrutura foi “enxertada” apenas para evitar a perda de recursos federais.

A representação sustenta, aidna, que o GDF viola a LRF ao iniciar uma obra nova de alto custo enquanto monumentos históricos e espaços culturais existentes, como o Teatro Nacional Cláudio Santoro e a Biblioteca Pública, sofrem com o abandono. “É um contrassenso gastar quase R$ 60 milhões do Tesouro local em um novo museu cercado de dúvidas enquanto o patrimônio público atual está em ruínas”, afirmam os deputados.

A Decisão do TCDF

O Plenário do TCDF determinou que a Secretaria de Cultura suspenda imediatamente qualquer ato administrativo sobre o caso até que o Tribunal delibere sobre o mérito das irregularidades. O governo tem o prazo de 30 dias para apresentar esclarecimentos detalhados sobre os pontos narrados na denúncia.

Principais números da denúncia:

  • Custo Total: Salto de R$ 26,3 mi para R$ 74,9 mi (+184%).
  • Gasto do GDF: Salto de R$ 11,8 mi para R$ 59,7 mi (+404%).
  • Situação: Obra suspensa por decisão unânime do TCDF.

T LB

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