Sexta-feira, 20/02/26

TCU ainda avalia como tratar festas de Vorcaro com autoridades

TCU ainda avalia como tratar festas de Vorcaro com autoridades
TCU ainda avalia como tratar festas de Vorcaro com autoridades – Reprodução

O TCU (Tribunal de Contas da União) ainda não decidiu se vai avaliar a participação de políticos e autoridades que frequentaram festas organizadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro numa casa de veraneio em Trancoso, na Bahia. O relator do caso, ministro Jorge Oliveira, precisa averiguar o alcance da matéria para o tribunal.

Reportagem da Folha mostrou que uma representação do MP (Ministério Público) junto à corte, protocolada em 29 de janeiro, solicita que o TCU identifique procuradores, magistrados e outras autoridades que teriam participado dos encontros privados, denominados “Cine Trancoso”, além de verificar eventual envolvimento de órgãos federais no financiamento ou promoção dos eventos.

O documento destaca também ser importante identificar se, em tais eventos, não foram utilizados recursos de instituições públicas como Banco do Brasil, BNDES e BRB (Banco Regional de Brasília).

Menos de dez dias depois, em 6 de fevereiro de 2026, a AudBancos (Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros) recomendou o arquivamento do pedido. A avaliação da área técnica é que faltam indícios de irregularidades para sustentar a matéria nos limites da competência direta do TCU.

Como diz o nome, o tribunal é responsável pelo controle externo da administração pública federal. Junto com o Congresso Nacional, atua na fiscalização das contas públicas, do Orçamento e da gestão do patrimônio da União, por exemplo. Audita contratos, licitações, repasses de recursos, sempre da esfera pública, e também acompanha a atuação de gestores federais e sua idoneidade para lidar com essas áreas.

No caso específico das festas, para dar um exemplo prático, seria preciso investigar se agentes públicos utilizaram recursos ou bens da União de maneira irregular para participar desses eventos.

Pelo trâmite previsto, o ministro relator pode acolher o entendimento da área técnica ou discordar, o que levaria a um pedido de mais informações, podendo levar o caso ao plenário, submetendo a discussão aos demais ministros. Até o momento, não há decisão, nem data para apreciação desse processo.

A reportagem da Folha apurou que as festas não se restringiram a Trancoso. Foram realizados eventos festivos, alguns maiores ou menores, em diferentes locais, no Brasil e no exterior, como Nova York, nos Estados Unidos, e Lisboa, em Portugal. Em São Paulo, a área de um hotel ficou conhecida por encontros mais regulares.

Esses encontros são descritos como suntuosos, com bebidas e comidas caras, e reservados a um grupo restrito de autoridades. Diferentes interlocutores contaram que havia muitos políticos, de partidos diversos, mas também executivos de instituições públicas, como bancos e fundos de previdência.

T LB

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