O tenente-coronel Geraldo Leite foi proibido de entrar no condomínio onde morava com a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, 32, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento dos dois.
Geraldo está bloqueado do prédio desde o dia 27 de fevereiro. A medida ocorreu nove dias após a morte da companheira, que veio a óbito no dia 18.
A decisão também aconteceu depois que o caso de Gisele passou a ser investigado como “morte suspeita”. Inicialmente, a ocorrência era apurada como suicídio, mas policiais mudaram a linha de investigação no dia 20 de fevereiro depois que encontraram provas controversas.
Como foto feita por socorrista mudou rumo de investigação sobre PM mortaO delegado de polícia Lucas de Souza Lopes fez a solicitação de bloqueio por e-mail ao condomínio Piscine Brás. “Solicito que seja bloqueado o acesso ao condomínio do senhor Geral Leite Rosa Neto”, escreveu a autoridade, como mostrou o inquérito policial, do qual o UOL teve acesso.
Investigador sugeriu que o impedimento à residência fosse feito mediante aos cadastros do morador.
“Deverá ser operacionalizado através do cancelamento do cadastro facial e tags de veículos”, acrescentou.
No mesmo dia, o pedido foi aceito pela administração predial. “Acusamos o recebimento do e-mail encaminhado. Informamos que a solicitação de bloqueio foi devidamente atendida e já se encontra concluída”, informou o gerente predial nas mensagens.
O UOL tenta apurar se Geraldo realizou alguma tentativa de acesso ao apartamento após o bloqueio. A matéria será atualizada caso haja a informação.
No apartamento, moravam Geraldo, Gisele e a filha da mulher, de um relacionamento anterior. O tenente-coronel alega, no entanto, que dormia em quarto separado da esposa e que há tempos enfrentavam problemas no relacionamento.
Geraldo disse em depoimento que morava com “dois estranhos”. “A gente estava vivendo juntos, mas praticamente não se conversava. Então eu chamei ela e falei ‘olha, do jeito que a gente está vivendo, não compensa. Estou gastando, não é pelo dinheiro, mas estou gastando 7 mil por mês, para viver com dois estranhos [ela e a filha dela].”
Defesa argumenta que Geraldo não figura como “investigado, suspeito ou indiciado”. “Desde o início das apurações, tem colaborado com as autoridades competentes e permanece à disposição para o esclarecimento dos fatos”, escreveu o advogado Eugênio Malavasi em nota.
Gisele morreu no hospital no dia 18 de fevereiro. Após manobras de reanimação, a mulher foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital, onde sua morte foi constatada às 12h04. A vítima deixa uma filha de 7 anos, de um relacionamento anterior.
Em depoimento, Geraldo afirmou que, no dia dos fatos, se dirigiu ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma “exaltada”, mandou ele sair do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida.
O corpo da PM foi exumado e investigadores aguardam resultado. Também foi solicitada perícia no local, bem como exame para identificar a presença de pólvora nas mãos de Gisele e Geraldo. Uma pistola Glock .40 da Polícia Militar de São Paulo, três celulares, dois carregadores, dois cartuchos e uma bermuda de Geraldo foram apreendidos.
À polícia, a mãe da vítima afirmou que o relacionamento do casal era extremamente conturbado e que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta. Ela afirmou que Geraldo proibia a esposa de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.







