Segunda-feira, 23/02/26

‘Todo ano é essa vida’, lamenta desabrigada após chuvas no litoral de SP

‘Todo ano é essa vida’, lamenta desabrigada após chuvas no litoral de SP
‘Todo ano é essa vida’, lamenta desabrigada após chuvas no – Reprodução

Atendida em uma escola municipal transformada em abrigo em Peruíbe, no litoral sul paulista, após chuvas intensas no fim de semana, a desabrigada Gildete Oliveira de Souza, 46, relata uma rotina de tensão sempre que chega a época de temporais. “Todo ano é essa vida. E isso já tem dez anos”, lamenta.

“Saí por causa da enchente. A casa cheia de água, a rua cheia de água. Não dá para ficar”, conta. “Sou muito bem atendida quando montam abrigo porque até já me conhecem”.

Na casa de Gildete, no bairro Caraguava, moram três adultos e cinco pré-adolescentes e crianças, entre filhos e netos. “Principalmente por causa das crianças, não tem como permanecer no momento. Estamos todos juntos no abrigo até a situação normalizar.”

Em Peruíbe, são cem pessoas desabrigadas (que recebem atendimento em escola municipal do bairro Balneário Samburá transformada em abrigo) e 130 desalojadas nos bairros Jardim das Flores e Vila Erminda (que foram para casas de parentes).

Sobre a Serra do Guaraú, que teve encharcamento de solo e pontos com movimentação de massa, está vigente um esquema de comboio para passagens de veículos, mas podendo ser fechada a qualquer momento como prevenção.

Algumas vias ainda estão alagadas, mas muitas já tiveram a água escoada, diz a prefeitura.

A Defesa Civil atualiza que foram 381 mm de chuva na área do bairro Guaraú (ante 367 mm divulgados anteriormente) e 289 mm no centro da cidade (antes, a conta estava em 268 mm).

Um protocolo de gerenciamento de crise entre a Defesa Civil e a prefeitura busca mitigar os estragos e reforçar o atendimento às famílias. Não há registro de vítimas fatais.

Em 2024, cerca de 500 pessoas chegaram a ter que deixar suas casas em Peruíbe por conta das chuvas nesse período do ano.

Mongaguá, a 45 quilômetros de Peruíbe, decretou estado de atenção após elevação do nível de rios que cortam a cidade e registro de pontos de alagamentos.

Nesta segunda-feira (23) a Defesa Civil informou que o município teve, nas últimas 24 horas, 96,42 mm de chuva. No acumulado de 72 horas, o volume é de 141,54 mm, considerado “expressivo” pelo órgão.

Ainda há pontos de alagamentos nos bairros Itaóca, Agenor, Jardim Praia Grande, Barigui, Itaguaí e Flórida Mirim. Não há registro de vítimas.

No sábado (21), a região central foi a área mais atingida com trechos de inundação temporária. O nível da água baixou rapidamente. Também foram registradas duas ocorrências de queda de árvores na Estrada do Poço das Antas (local turístico) e Avenida Sorocabana no Jardim Itaóca.

“Permanecemos em monitoramento constante das condições climáticas e orientamos que, em períodos de chuva, a população evite áreas alagadas, não enfrente enxurradas e, em caso de emergência, acione os canais oficiais de atendimento”, informa a Defesa Civil de Mongaguá.

Em Natividade da Serra, um deslizamento de terra atingiu uma residência e deixou um morador desaparecido. As buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil foram suspensas durante a noite, por questões de segurança, e devem ser retomadas na manhã desta segunda.

UBATUBA DECRETA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Em Ubatuba, no litoral norte, as aulas foram suspensas na rede municipal nesta segunda. As fortes chuvas entre a noite de sábado (21) e a madrugada de domingo provocaram alagamentos e acúmulo de sujeira em algumas escolas.

A cidade está oficialmente em situação de emergência por conta da chuva. O decreto municipal foi assinado pela prefeita Flávia Pascoal (PL) e ficará vigente por 180 dias.

“A medida, publicada no Diário Oficial, permite a adoção de providências administrativas excepcionais para agilizar o atendimento às famílias atingidas, a execução de serviços emergenciais e o acesso a recursos estaduais e federais”, informa, por nota, a prefeitura.

No bairro Angelim, 15 famílias ficaram desalojadas e foram acolhidas por amigos e familiares. Na região sul da cidade, foram cadastradas 408 residências atingidas. Não houve registro de desabrigados
permanentes na escola de referência (Emei Tereza dos Santos), que está sendo utilizada como ponto de apoio para armazenamento de alimentos e preparo de refeições. Também há preparo de refeições em uma igreja, em sistema de parceria para atendimento à demanda.

De acordo com alerta emitido pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), o município permanece sob risco hidrológico alto após registrar mais de 200 mm de chuva em 72 horas.

Em cerca de 12 horas, o volume de chuva registrado já era equivalente à média histórica de todo o mês de fevereiro, com solo já em condição de saturação crítica devido ao acumulado expressivo.

T LB

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