O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (12) que pretende aplicar sanções econômicas a países que mantiverem relações comerciais com o Irã. Pela proposta anunciada, essas nações passarão a pagar uma sobretaxa quando realizarem transações com o mercado norte-americano.
A sinalização acende um alerta no comércio global, inclusive para o Brasil. Em 2025, o Irã apareceu como o 11º principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, de acordo com dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. O país foi responsável por 1,73% das vendas externas do setor, totalizando cerca de US$ 2,9 bilhões no ano, com destaque para milho e soja. O Irã ficou próximo, em volume de compras, de mercados como Japão, Egito, Turquia, Indonésia, Índia e México.
No sentido inverso, a relevância iraniana é bem menor. O Irã ocupou apenas a 42ª posição entre os fornecedores de produtos do agro ao Brasil em 2025. Ainda assim, tem importância estratégica por ser um grande exportador global de ureia, insumo essencial para a produção de fertilizantes. Apesar disso, o Brasil depende principalmente de Rússia, China e Canadá para suprir essa demanda, com volumes significativamente superiores aos iranianos.
Dados do Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), mostram que o Brasil importou do Irã cerca de US$ 11,9 milhões em produtos ligados ao agronegócio no ano passado, sobretudo adubos e fertilizantes químicos. Mesmo assim, essas compras representaram menos de 0,5% do total das importações brasileiras do setor. Outro item relevante na pauta foi o de frutas secas.
O endurecimento do discurso de Trump ocorre em meio à escalada de tensão no Irã, onde manifestações contra o regime do aiatolá Ali Khamenei se intensificaram desde o fim de dezembro. Segundo organizações de direitos humanos, os protestos já deixaram mais de 600 mortos e ultrapassam 10 mil presos. O governo iraniano reagiu com repressão e chegou a impor um bloqueio quase total da internet no país.
De acordo com o Wall Street Journal, a Casa Branca avalia alternativas de última hora para conter o programa nuclear iraniano, tema que já esteve no centro do conflito entre Israel e Irã em junho de 2024, encerrado após uma ofensiva militar dos Estados Unidos.
O anúncio de novas sanções também reacende lembranças recentes no comércio brasileiro. Em 2025, o Brasil foi alvo de tarifas impostas por Trump, incluindo uma sobretaxa inicial de 10% sobre exportações aos EUA, ampliada em agosto com mais 40% direcionados especificamente ao país. A medida afetou fortemente produtos do agronegócio, como carne e café, cujas vendas ao mercado americano despencaram.
Em novembro, porém, o governo norte-americano retirou as tarifas adicionais sobre os principais produtos do agro brasileiro, embora alguns itens ainda permaneçam sujeitos a sobretaxas.








