UOL/FOLHAPRESS
O presidente Donald Trump disse nesta quinta-feira (12) que os EUA precisam fazer um acordo com o Irã e acredita que ele pode ser fechado no próximo mês.
“Temos que chegar a um acordo, caso contrário, será muito traumático, muito traumático”, disse Trump a jornalistas. As tensões entre os dois países cresceram nas últimas semanas e envolvem o programa nuclear iraniano e a repressão a manifestantes. O Irã já descartou renunciar ao enriquecimento de urânio no âmbito de suas negociações com os EUA, mesmo em caso de “guerra”.
Após uma primeira rodada de negociações em Omã na semana passada, os dois países citaram sua vontade de continuar o diálogo. Mas o Irã mantém-se firme em suas linhas vermelhas, enfatizando que tem direito de desenvolver energia nuclear para fins civis.
Os EUA exigem um acordo mais amplo, que inclua a limitação das capacidades balísticas do país e o fim de seu apoio a grupos armados hostis a Israel. Nas últimas semanas, Trump multiplicou as ameaças de intervenção militar no país, inicialmente em resposta à sangrenta repressão contra o movimento de protestos em janeiro e, depois, para pressionar Teerã com o objetivo de alcançar um acordo.
Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de tentar dotar-se de armas nucleares, algo que Teerã nega. O Irã e os Estados Unidos iniciaram negociações no ano passado, mas esbarraram na questão do enriquecimento de urânio e os diálogos ficaram paralisados devido à guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense contra o território iraniano. Trump afirmou que os bombardeios americanos realizados durante esse conflito haviam “aniquilado” as capacidades nucleares iranianas, mas a magnitude exata dos danos continua desconhecida.
Após a repressão ao movimento de protestos em janeiro, o presidente republicano voltou a ameaçar com uma intervenção. A ONG Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos, disse ter confirmado 6.961 mortos, em sua maioria manifestantes, e registrou mais de 51.000 detenções. Em caso de ataque, o Irã advertiu que teria como alvo as bases americanas na região e poderia bloquear o estreito de Ormuz, ponto de trânsito fundamental para o abastecimento energético mundial.






