Quarta-feira, 11/03/26

Veja como jovem do interior do RS conseguiu bolsa integral em Harvard

jovem do interior do rs bolsa integral em harvard
Veja como jovem do interior do RS conseguiu bolsa integral – Reprodução

Natural de Santiago, cidade no interior do Rio Grande do Sul, Mariana Rodrigues Chaves, 18, foi aprovada para cursar Governo e Economia com bolsa integral na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, a partir de agosto.

O pacote de auxílio financeiro da instituição americana cobre moradia no campus, alimentação e seguro de saúde durante toda a graduação. A aprovação da jovem gaúcha ocorreu após um processo seletivo que, além de excelência acadêmica, exige histórico de liderança, atividades extracurriculares e outras competências.

A estudante registrou em vídeo o momento em que abriu o portal da universidade ao lado da mãe e descobriu a aprovação. “É um processo muito trabalhoso, envolve muitos documentos e muitos passos.
Quando eu vi o resultado, pensei: realmente valeu a pena”, disse ao UOL.

A jovem afirma que recebeu a notícia com os pés no chão, pois sabia o tamanho da concorrência internacional. “Eu sou uma pessoa muito realista. Olhando as estatísticas, a chance de aprovação é muito pequena. Eu pensava que talvez não desse certo”, afirmou.

“Não é só por mim. É pela minha família, por Santa Maria, por Santiago, pelo Rio Grande do Sul. Esses lugares fizeram quem eu sou hoje”, disse Mariana Rodrigues Chaves.

A aluna também prestou vestibulares no Brasil enquanto aguardava os resultados das universidades americanas. Ela passou em Medicina na Universidade Federal de Santa Maria, Economia na Universidade de São Paulo e Direito e Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A ideia de estudar no exterior surgiu no ensino fundamental, quando ela conheceu a história de uma ex-aluna, também aceita em Harvard. “Sempre gostei de procurar oportunidades diferentes e estudar fora é uma delas”, contou Mariana.

A organização da candidatura ganhou método a partir do segundo ano do ensino médio. “No segundo ano eu comecei a pensar de forma mais estratégica: qual narrativa eu vou construir, quais partes da aplicação eu precisava desenvolver”, explicou.

O processo seletivo nos Estados Unidos analisa um conjunto de fatores além do desempenho acadêmico. As universidades avaliam histórico escolar, ensaios pessoais, atividades extracurriculares, liderança, impacto social e cartas de recomendação.

A estudante reuniu experiências em projetos estudantis, competições internacionais e voluntariado durante a preparação. “Foi ali que eu conheci pessoas reais e famílias reais. Isso me deu uma visão muito concreta do meu próprio país”, afirmou sobre a atuação social.

Mariana participou por cinco anos de simulações da ONU (Organização das Nações Unidas), com representação de países em debates internacionais. Segundo ela, os eventos deram uma visão muito ampla do que acontece em outros países e continentes.

O ensaio pessoal da candidatura focou em um dia em que ela ajudou a avó a vender queijos de uma pequena fábrica. O texto usou uma experiência simples para revelar traços maiores da formação da jovem.

“Foi um dia em que eu aprendi muito sobre negociação, sobre lidar com pessoas e até sobre política. Não é um texto contando toda a trajetória. É uma história pessoal que se expande para algo maior”, disse Mariana Rodrigues Chaves.

A preparação para o exame padronizado em inglês, com foco em matemática e interpretação de texto, foi a etapa mais difícil. A aluna construiu o domínio do idioma com imersão diária, com o uso de aplicativos, aulas formais, músicas, filmes e conversas com nativos.

“Quando você pensa em Harvard, não basta ir bem. Você precisa mirar na perfeição”, disse Mariana Rodrigues Chaves.

A rotina, contudo, de estudos manteve espaço para a convivência com a família, os amigos e o namorado nos fins de semana. “Eu sou muito contra esse pensamento de abandonar toda a vida para focar em uma coisa só. Esses momentos são importantes para descansar a mente”, declarou.

A trajetória escolar da gaúcha incluiu escolas públicas, uma instituição particular e o Colégio Militar. Filha de um militar do Exército e de uma policial militar, ela avalia a influência desse ambiente. “A escola militar me ensinou muito sobre liderança, respeito, hierarquia e meritocracia”.

O interesse por Governo e Economia surgiu das experiências de liderança escolar e do desejo de trabalhar com políticas públicas. A jovem não descarta disputar eleições no longo prazo para atuar diretamente na área pública.

“Se eu pudesse, eu me candidataria. Eu sempre gostei de tomar decisões e pensar em projetos que ajudam outras pessoas. Eu quero trabalhar com política”, disse Mariana Rodrigues Chaves.

A aprovação gerou uma onda de mensagens nas redes sociais de estudantes interessados em entender o processo seletivo estrangeiro. “Esse processo ainda é muito desconhecido no Brasil. Se a minha história ajudar outras pessoas a conhecer esse caminho, eu fico muito feliz”, disse.

Mariana orienta outros jovens a não encararem a origem como uma barreira definitiva para estudar fora. “Não importa de onde você veio. Basta se dedicar, pesquisar sobre o processo e acreditar que dá para chegar lá”, afirmou.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *