Domingo, 01/03/26

Ibama nega licença para termelétrica em Caçapava por falta de estudos ambientais

Ibama nega licença para termelétrica em Caçapava por falta de estudos ambientais
Ibama nega licença para termelétrica em Caçapava por falta de – Reprodução

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou o pedido de licença prévia para a construção da Usina Termoelétrica (UTE) São Paulo, em Caçapava (SP). O empreendimento, previsto para ser uma das maiores termelétricas do país e da América Latina, com capacidade de geração de 1,7 GW, não avançou na primeira etapa do licenciamento ambiental.

A decisão foi motivada pela falta de apresentação completa do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) pela Termelétrica São Paulo Geração de Energia S.A., controlada pela Natural Energia. O Ibama realizou dois pedidos de complementação de informações, mas a empresa não atendeu às exigências, conforme a Resolução Conama nº 237/97, que estabelece prazos para a entrega de documentação. Com isso, o processo foi indeferido, embora a companhia possa iniciar um novo pedido de licenciamento.

Grupos ambientalistas celebraram a medida, destacando os riscos à saúde e ao meio ambiente na região do Vale do Paraíba. A Frente Ambientalista do Vale do Paraíba Paulista (Famvap) enfatizou um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que aponta o projeto como ameaça à população local. Outras pesquisas indicam potencial degradação irreversível do ambiente caso a usina entrasse em operação.

O histórico de oposição ao projeto inclui decisões judiciais e ações locais. Em janeiro de 2024, a Justiça Federal suspendeu o licenciamento e cancelou uma audiência pública, atendendo a pedido do Ministério Público Federal (MPF), que criticou a desconsideração de municípios afetados, como Monteiro Lobato, Pindamonhangaba, Taubaté, Tremembé e Santo Antônio do Pinhal.

Em junho de 2024, a Coalizão Energia Limpa, integrada por instituições como o Instituto Arayara e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), divulgou o relatório ‘Regressão energética’, alertando para emissões de até 6 milhões de toneladas de CO₂ por ano pela usina – volume 2 mil vezes maior que as emissões de Caçapava entre 2000 e 2022. Além disso, o funcionamento demandaria cerca de 1,56 milhão de litros de água por dia, captados de fontes subterrâneas e um córrego local.

Outras entidades, como o Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), o Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA) de Caçapava, o Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT) e o Fórum Permanente em Defesa da Vida, também se posicionaram contra a obra.

No âmbito local, em outubro de 2022, a Câmara Municipal de Caçapava alterou a lei de zoneamento para proibir usinas termelétricas, mas uma decisão liminar em novembro de 2023 permitiu novamente os empreendimentos. A Natural Energia não se pronunciou sobre o indeferimento do Ibama até o momento.

*Com informações da Agência Brasil

T LB

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