A missão Artemis II, primeira tripulada do programa da Nasa, concluiu com sucesso sua jornada de dez dias ao redor da Lua, retornando à Terra no sábado (11) com os quatro astronautas saudáveis. A cápsula Orion amerissou no Oceano Pacífico, próximo à Califórnia, após testar sistemas de navegação, comunicação e suporte à vida em espaço profundo. Essa missão reforça a cooperação internacional no programa Artemis, assinado por 61 países, incluindo o Brasil desde 2021 por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O Brasil participa ativamente com projetos científicos e tecnológicos, promovendo a presença humana sustentável na Lua e avanços aplicáveis no espaço e na Terra. “A principal contribuição do Brasil no acordo Artemis é ciência de qualidade para agregar valor a essa iniciativa num marco de cooperação internacional”, afirma o diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB), Rodrigo Leonardi.
Uma das iniciativas é o Space Farming, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a AEB. O projeto desenvolve sistemas de produção de alimentos em condições extremas, como baixa gravidade e alta radiação, com foco em cultivos resilientes como batata-doce e grão-de-bico. A Rede Space Farming Brazil, que reúne instituições nacionais e internacionais, utiliza tecnologias como sensores e aprendizado de máquina para otimizar o uso de água e energia.
“É o cultivo de plantas fora da Terra, com o objetivo também de geração de tecnologias e produtos a serem utilizados no nosso planeta em benefício da sociedade”, explica a coordenadora da rede, Alessandra Fávero. Os avanços beneficiam cenários terrestres, especialmente diante de mudanças climáticas, como produção em áreas com escassez hídrica ou eventos extremos.
Outra frente é o nanossatélite SelenITA, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em parceria com a AEB e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Com cerca de 30 quilos, o satélite investigará o ambiente dinâmico da superfície lunar, incluindo plasma, poeira e interações elétricas, além de geologia e estrutura interna.
“O Brasil está inserido no seleto grupo de países que vai investigar a Lua com o Programa Artemis, participando com a contribuição de nossos pesquisadores no mais importante empreendimento científico do século XXI”, afirma o gerente da missão, Luís Loures. O projeto está na fase de Revisão Preliminar de Projeto, com planos para parcerias internacionais e lançamento em órbita lunar.
Essas iniciativas fortalecem a base tecnológica nacional, formam recursos humanos e ampliam o Programa Espacial Brasileiro. A cooperação internacional é essencial para superar desafios técnicos e custos, gerando soluções com impacto em áreas estratégicas na Terra.
*Com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação








