Segunda-feira, 09/02/26

Socialista moderado vence extrema direita e se elege presidente em Portugal

Socialista moderado vence extrema direita e se elege presidente em Portugal
Socialista moderado vence extrema direita e se elege presidente em – Reprodução

O socialista moderado António José Seguro venceu no domingo (8) o segundo turno das eleições presidenciais em Portugal, superando amplamente o seu adversário de extrema direita André Ventura, que sai fortalecido da disputa, apesar da derrota.

Com 99,2% dos votos contabilizados, Seguro, de 63 anos, obteve 66,8% da preferência dos eleitores, enquanto Ventura, de 43, somou 33,2%.

Seguro sucederá, no início de março, ao conservador Marcelo Rebelo de Sousa, que ocupa o cargo há dez anos.

Embora o papel do chefe de Estado português seja principalmente simbólico, ele é chamado a desempenhar como árbitro em caso de crise e dispõe do poder de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas antecipadas.

“Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia”, declarou Seguro, antes de acrescentar que pretende ser “o presidente de todos os portugueses”.

Seguro chegou ao turno decisivo como favorito, segundo as pesquisas, após vencer o primeiro em 18 de janeiro.

Apesar de ter saído derrotado, Ventura consolidou suas ambições com sua passagem para o segundo turno (ele recebeu 23,5% dos votos no primeiro turno). O partido de extrema direita, Chega, se estabeleceu como a segunda força política do país.

“Em breve, governaremos este país”, declarou Ventura.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a vitória de Seguro como um triunfo dos “valores europeus compartilhados”.

A campanha foi afetada pelas fortes tempestades e vendavais que causaram a morte de pelo menos sete pessoas e provocaram danos estimados em 4 bilhões de euros (cerca de R$ 25 bilhões).

Os transtornos provocados pelo temporal obrigaram cerca de 20 distritos entre os mais afetados a adiarem a votação por uma semana, mas esta decorreu normalmente para quase todos os 11 milhões de eleitores habilitados em Portugal e no exterior.

Ventura criticou a resposta do governo às condições climáticas extremas e tentou, sem sucesso, adiar toda a eleição.

‘Esquerda moderna e moderada’

Seguro é um político experiente que, no entanto, passou a última década afastado da vida pública.

Ex-líder do Partido Socialista, iniciou sua carreira na juventude da legenda.

Em 2014, perdeu uma disputa interna pelo poder e foi destituído do cargo de secretário-geral do partido pelo futuro primeiro-ministro António Costa, que agora é presidente do Conselho Europeu.

Apesar de ter permanecido fora dos holofotes, nunca renunciou à sua crença em uma “esquerda moderna e moderada”.

Começou sua campanha presidencial sem o apoio da direção do Partido Socialista, embora a maioria tenha eventualmente o apoiado e foi avançando lentamente nas pesquisas.

Abstenção como ‘grande rival’

Enquanto esse favoritismo gerava temores de uma desmobilização do eleitorado, as condições meteorológicas dos últimos dias levaram o candidato socialista a apontar que a abstenção seria o seu “grande rival”.

“Eu espero que esta abertura de tempo permita que as pessoas venham votar. Este é o momento em que […] cada voto conta e decide mesmo o futuro do nosso país”, disse Seguro após votar em uma escola de Caldas da Rainha, cidade onde reside, a cerca de 100 quilômetros a norte de Lisboa.

Ventura, no entanto, prometia uma “ruptura” com as forças políticas que governam Portugal há 50 anos, e queixou-se de ter feito campanha em um cenário de “todos contra um”, o que tornou a sua eleição “muito mais difícil”.

Seguro venceu o primeiro turno há três semanas com 31,1% dos votos e, desde então, somou o apoio de inúmeras personalidades políticas da extrema esquerda, do centro e até da direita, mas não o do primeiro-ministro Luís Montenegro, do Partido Social Decmocrata (PSD), de direita moderada.

T LB

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