Quinta-feira, 26/02/26

Dívida pública federal atinge R$ 8,641 trilhões em janeiro de 2026

Dívida pública federal atinge R$ 8,641 trilhões em janeiro de 2026
Dívida pública federal atinge R$ 8,641 trilhões em janeiro de – Reprodução

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) encerrou janeiro de 2026 em R$ 8,641 trilhões, o que representa um aumento de 0,07% em termos nominais em comparação com dezembro de 2025, quando estava em R$ 8,635 trilhões. Essa variação resultou da apropriação positiva de juros de R$ 74,79 bilhões, parcialmente neutralizada por um resgate líquido de R$ 68,76 bilhões, segundo o Relatório Mensal da Dívida (RMD) divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) ampliou seu estoque em 0,26%, passando de R$ 8,309 trilhões para R$ 8,330 trilhões, devido a juros apropriados de R$ 88,53 bilhões, contrabalançados por resgate líquido de R$ 67,02 bilhões. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) registrou queda de 4,75%, encerrando o mês em R$ 310,59 bilhões, equivalente a US$ 59,39 bilhões, com R$ 258,97 bilhões em dívida mobiliária e R$ 51,62 bilhões em dívida contratual.

No período, as emissões totais da DPF somaram R$ 147,17 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 215,93 bilhões, gerando o resgate líquido mencionado. Para a DPMFi, as emissões incluíram R$ 67,28 bilhões em prefixados, R$ 54,84 bilhões em taxa flutuante e R$ 23,64 bilhões indexados a preços.

Em termos de conjuntura, riscos geopolíticos envolvendo Estados Unidos, Venezuela, Irã e Groenlândia aumentaram a aversão ao risco, levando a uma diversificação de portfólios que beneficiou mercados emergentes, com volatilidade na curva de juros norte-americana. No Brasil, a curva de juros local também oscilou, influenciada por expectativas sobre a política monetária e o cenário externo. O CDS Brasil de cinco anos caiu 5,95%, para 130 pontos-base, e a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre possível flexibilização em março animou os agentes econômicos, conforme destacou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, durante coletiva de imprensa virtual em 25 de fevereiro.

Quanto aos detentores da DPMFi, as instituições financeiras mantiveram a liderança com 31,92% do estoque, seguidas por fundos de previdência (22,66%), fundos de investimento (21,36%) e não-residentes (10,69%). Os não-residentes aumentaram sua participação de 10,35% para 10,69%, impulsionados por realocação de carteiras norte-americanas, elevando seu volume de R$ 859,64 bilhões para R$ 890,27 bilhões. As instituições financeiras e o segmento de previdência reduziram ligeiramente suas fatias.

O custo médio acumulado em 12 meses da DPF subiu para 12,07% ao ano, enquanto o prazo médio aumentou de 4,00 para 4,03 anos. Para a DPMFi, o custo médio foi de 12,76% ao ano, e para a DPFe, de -3,79% ao ano, refletindo a depreciação do dólar em 4,95% frente ao real.

O colchão de liquidez da DPF diminuiu 8,59%, para R$ 1,085 trilhão, correspondendo a 6,77 meses de pagamentos futuros, acima do nível prudencial de três meses. Helano Borges Dias enfatizou que esse patamar é confortável e preparatório para volatilidades futuras.

No Tesouro Direto, janeiro registrou vendas recordes de R$ 12,02 bilhões e resgates de R$ 7,14 bilhões, resultando em emissão líquida de R$ 4,88 bilhões. O estoque alcançou R$ 220,24 bilhões, alta de 3,28%, com títulos indexados à inflação representando 50,59%. O Tesouro Selic foi o mais demandado, com 48,90%. Havia 3,45 milhões de investidores ativos, com 18.061 novos no mês, e 77,53% das compras foram de até R$ 5 mil. Estão abertas as inscrições para a OLITEF 2026, que no ano anterior mobilizou 13 mil escolas e 1,7 milhão de alunos.

Em fevereiro, o Tesouro emitiu US$ 4,5 bilhões em bônus no mercado norte-americano, criando um benchmark de 10 anos (Global 2036) de US$ 3,5 bilhões a 6,400% ao ano (spread de 220 pontos-base sobre Treasuries) e reabrindo o Global 2056 em US$ 1 bilhão a 7,300% (spread de 245 pontos-base). A demanda foi três vezes o ofertado, com forte participação de Europa e América do Norte, reforçando a confiança no título brasileiro e alongando o perfil da dívida.

T LB

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