Quarta-feira, 08/04/26

Entidades médicas criticam MP de renovação automática de CNH sem exames

Entidades médicas criticam MP de renovação automática de CNH sem exames
Entidades médicas criticam MP de renovação automática de CNH sem – Reprodução

O Congresso Nacional instalou nesta terça-feira (7) uma comissão especial para analisar a Medida Provisória nº 1.327/2025, que prevê a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem a realização do exame de aptidão física e mental.

Em resposta à medida, mais de 35 entidades médicas brasileiras, lideradas pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), divulgaram um manifesto alertando que a retirada da exigência do exame compromete a prevenção de mortes no trânsito. As entidades enfatizam que a aptidão para dirigir não é permanente e pode ser alterada por doenças, medicamentos ou eventos clínicos que afetam visão, reflexos, cognição e capacidade motora.

“Na prática, isso significa que um condutor pode estar inapto para dirigir sem qualquer registro de infração. Problemas como diabetes, cardiopatias, epilepsia, distúrbios do sono e doenças neurológicas não aparecem em radares nem em multas, mas impactam diretamente a segurança ao volante”, destacou a Abramet em nota.

A MP, publicada em 10 de dezembro de 2025, altera regras do Código de Trânsito Brasileiro, modificando a validade da CNH e a forma de realização de exames para obtenção e renovação da habilitação. A medida permite a emissão da CNH em formato digital e estabelece a renovação automática para condutores cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), dispensando novos exames, exceto para pessoas com 70 anos ou mais; motoristas com 50 anos ou mais, que terão direito a apenas uma renovação automática; e condutores com restrições médicas previstas no Código de Trânsito.

Além disso, qualquer médico ou psicólogo poderá realizar os exames de aptidão física, mental e avaliação psicológica, sem necessidade de vínculo com Centros de Formação de Condutores (CFCs). Os valores máximos desses exames serão fixados, e o documento poderá ser emitido em formato físico ou digital.

O manifesto é assinado também pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e conselhos regionais, Associação Médica Brasileira (AMB), Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Federação Médica Brasileira (FMB) e Instituto Brasil de Medicina (IBDM). Os signatários representam áreas como emergência, terapia intensiva, neurologia, ortopedia e reabilitação, além de especialidades relacionadas a condições que interferem na capacidade de dirigir.

A Abramet defende que o exame de aptidão física e mental, realizado por médico do tráfego, é o único instrumento para identificar riscos clínicos. Dados apresentados mostram que, em 2024, o Brasil registrou 38.253 mortes no trânsito e quase 285 mil internações hospitalares, com custo direto de aproximadamente R$ 400 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). Esses números não incluem despesas de longo prazo com reabilitação e benefícios previdenciários.

A associação argumenta que a discussão deve ser técnica, pois a condução de veículos envolve requisitos físicos e mentais que podem mudar ao longo da vida, enquanto sistemas de fiscalização monitoram apenas o comportamento, não as condições de saúde.

A presidência da comissão mista será do deputado federal Luciano Amaral (PSD-AL), com vice-presidência do senador Dr. Hiran (PP-RR). O relator é o senador Renan Filho (MDB-AL).

Em outra alteração recente, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou uma resolução que acaba com a obrigatoriedade de aulas em autoescola para obtenção da CNH. A resolução permite que o candidato escolha diferentes formas de preparação para os exames teórico e prático, que permanecem obrigatórios.

T LB

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