Terça-feira, 14/04/26

Estudo revela insegurança alimentar e obesidade em favelas brasileiras

Estudo revela insegurança alimentar e obesidade em favelas brasileiras
Estudo revela insegurança alimentar e obesidade em favelas brasileiras – Reprodução

Um estudo do Instituto Desiderata alerta para a presença simultânea de insegurança alimentar e obesidade em favelas brasileiras, fenômeno conhecido como dupla carga da má nutrição. A pesquisa ‘Ambientes alimentares em favelas: percepção sobre o acesso aos alimentos de moradores de favelas brasileiras’ ouviu 900 domicílios em três territórios: Complexo da Maré e Caramujo, no Rio de Janeiro, e Coque, em Pernambuco.

De acordo com os dados, 60,7% das famílias enfrentam algum grau de insegurança alimentar. Entre as crianças de 5 a 10 anos, 34,7% apresentam excesso de peso, sendo 21% com sobrepeso e 12,95% com obesidade.

Os entraves para uma alimentação saudável são estruturais. Cerca de 43% dos entrevistados apontam o preço como principal barreira para itens in natura, mesmo quando disponíveis. Alimentos ultraprocessados, por outro lado, são mais acessíveis e consumidos com frequência. Além disso, 33% dos moradores levam mais de 30 minutos para chegar ao principal local de compra de alimentos, com 58% fazendo o trajeto a pé.

Esses fatores configuram os territórios como ‘pântanos alimentares’, com abundância de produtos não saudáveis, e ‘desertos alimentares’, com escassez de opções nutritivas. A gerente da área de obesidade do instituto, Andrea Rangel, enfatiza o papel determinante do território nas escolhas alimentares. ‘O direito à alimentação passa, necessariamente, pela real possibilidade de escolher. É fundamental que a promoção de alimentos frescos e nutritivos nas comunidades seja o centro de políticas públicas consistentes. Só alcançaremos a equidade na saúde alimentar quando o CEP de uma pessoa não for um impeditivo para isso’, afirmou.

O perfil das famílias reforça a vulnerabilidade: 89% dos responsáveis pela alimentação são mulheres, majoritariamente negras, e os domicílios têm, em média, quatro pessoas.

Quanto à alimentação escolar, a escola surge como espaço estratégico de proteção. No geral, 89,81% das crianças estão matriculadas, e 53% fazem refeições no ambiente escolar, com 64,47% relatando boa adesão. No entanto, no bairro do Coque, em Pernambuco, apenas 16,33% das crianças almoçam na escola, apesar de 91,67% estarem matriculadas em instituições públicas. Isso levanta alertas sobre a qualidade das refeições, com investigações em curso junto ao Conselho de Alimentação Escolar.

No Caramujo, cerca de 60% dos respondentes levam mais de 30 minutos para chegar aos locais de compra, destacando a fragilidade do acesso físico aos alimentos. Fatores como operações policiais e interrupções no funcionamento das escolas também afetam o acesso à alimentação, comprometendo redes de proteção social.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *