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Cabedelo, na Paraíba, voltou ao noticiário nacional poucos dias depois de realizar uma eleição suplementar. O prefeito eleito, Edvaldo Neto, e o vice, Evilásio Cavalcante, foram afastados do cargo por decisão judicial no âmbito da Operação Cítrico, conduzida pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público da Paraíba e a Controladoria-Geral da União.
A investigação aponta a existência de uma organização criminosa dentro da estrutura da prefeitura, com suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Um dos pontos mais graves do caso é a possível ligação do esquema com a facção conhecida como “Tropa do Amigão”, associada ao Comando Vermelho.
Segundo as apurações, contratos de fornecimento de mão de obra teriam sido utilizados para direcionar recursos públicos a empresas ligadas ao grupo investigado. O volume financeiro sob suspeita chega a cerca de 270 milhões de reais.
O afastamento ocorre dias após uma eleição convocada justamente para substituir um prefeito que também havia sido retirado do cargo por corrupção. O novo episódio reforça um histórico recente de instabilidade política no município.
Apesar das especulações, o segundo colocado na eleição, Walber Virgulino, não assume a prefeitura. A legislação eleitoral não prevê a posse automática nesse tipo de situação. Como o afastamento é cautelar e não há cassação da chapa, o resultado das urnas continua válido.
Com isso, a tendência é que o comando da cidade fique, de forma interina, com o presidente da Câmara Municipal até que a Justiça defina os próximos passos do caso.
A situação cria um novo cenário de incerteza administrativa. A eleição recente perde efeito prático, e o município volta a depender de decisões judiciais para definir sua condução política.
O caso de Cabedelo evidencia um problema recorrente em administrações locais: a repetição de afastamentos por suspeitas de corrupção, mesmo após processos eleitorais que deveriam restabelecer a normalidade institucional.








