O Dia Mundial da Doença de Chagas, celebrado em 14 de abril, reforça o alerta para a prevenção, acompanhamento e acesso ao tratamento da enfermidade no Brasil. A Doença de Chagas é uma condição silenciosa que pode levar a complicações graves no coração e ser descoberta apenas anos depois da infecção.
A data faz referência ao momento em que o médico Carlos Chagas identificou, em 1909, o parasita causador da enfermidade. A transmissão ocorre principalmente pelo inseto barbeiro, mas também pode acontecer por transfusão de sangue, ingestão de alimentos contaminados ou de mãe para filho durante a gestação.
Complicações e diagnóstico da Doença de Chagas
A fase crônica é a que mais preocupa os especialistas, especialmente pelos impactos no coração. A doença pode se manifestar em duas fases. Na fase inicial, os sintomas costumam ser leves ou inexistentes, como febre e cansaço. Já na fase mais avançada, além do coração, o sistema digestivo também pode ser afetado, com alterações no esôfago e no intestino que causam dificuldade para engolir e problemas intestinais.
Atendimento no Distrito Federal
No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), cerca de 90% dos pacientes que recebem implante de marcapasso apresentam complicações cardíacas associadas à doença. Segundo o chefe do ambulatório de marcapasso da unidade, o cirurgião cardíaco José Joaquim Vieira Júnior, o principal desafio é o caráter silencioso do problema. “A fase crônica pode ser assintomática. O paciente pode conviver com a doença por anos sem saber e desenvolver insuficiência cardíaca, arritmias e aumento do coração”, explica.
Ele destaca que, muitas vezes, o tratamento começa antes da confirmação definitiva. “Tratamos os sinais que podem levar à morte, independentemente do diagnóstico. Em muitos casos, o paciente só descobre anos depois que é chagásico, mas já estava sendo acompanhado e tratado”, afirma o cirurgião.
No HBDF, são realizados cerca de 600 implantes de marcapasso por ano. Em 2023, foram 637 procedimentos; em 2024, 650; e, em 2025, 655 cirurgias. No organismo, o parasita pode afetar o coração, provocando alterações no ritmo cardíaco, insuficiência do órgão e aumentando o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
Tratamento e Prevenção da Doença de Chagas
O diagnóstico varia conforme a fase da doença. Na fase aguda, a identificação é mais fácil pela maior presença de parasitas no sangue. Na fase crônica, são utilizados exames específicos, além de avaliações do coração e do sistema digestivo. O tratamento na fase inicial é feito com medicamentos que combatem o parasita, com maior chance de cura quando iniciado cedo. Nos casos avançados, o foco é controlar as complicações, especialmente as cardíacas, com medicamentos e dispositivos como marcapassos.
Recomendações e cuidados
Para quem convive com a doença, o acompanhamento contínuo é essencial. A recomendação é manter consultas regulares e realizar exames periódicos, como eletrocardiograma e ecocardiograma. O uso correto das medicações, alimentação equilibrada, prática de atividade física orientada e controle de doenças como hipertensão e diabetes também são fundamentais.
Sinais como falta de ar, cansaço excessivo, palpitações e inchaço nas pernas devem servir de alerta, sendo importante procurar atendimento médico ao perceber qualquer alteração. A prevenção passa por cuidados como manter a casa limpa, evitar acúmulo de materiais e ficar atento à presença do inseto transmissor.
Onde buscar atendimento
Em caso de suspeita da doença ou de sintomas, o primeiro passo é procurar uma unidade básica de saúde (UBS). Após a avaliação inicial, o paciente pode ser encaminhado para atendimento especializado. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
*Com informações do IgesDF








