Quarta-feira, 15/04/26

Região Sul supera fome em 900 mil lares com Sisan, mas capitais ainda em risco

Região Sul supera fome em 900 mil lares com Sisan, mas capitais ainda em risco
Região Sul supera fome em 900 mil lares com Sisan, – Reprodução

Dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) indicam que cerca de 900 mil domicílios da Região Sul deixaram a situação de insegurança alimentar grave entre 2022 e 2024. No mesmo período, 4,4 milhões de lares passaram a viver em segurança alimentar, enquanto 1,7 milhão superaram a insegurança alimentar leve e mais de 1 milhão deixaram a condição moderada. Esses avanços refletem os efeitos da retomada e do aprimoramento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), implementado desde 2023.

As informações, levantadas pela Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do MDS, foram divulgadas nesta terça-feira (14 de abril), durante o Encontro Regional do Sisan, em Curitiba (PR). O Sisan integra ações de diferentes áreas e níveis de governo, com participação da sociedade civil, para garantir o direito humano à alimentação adequada. Segundo a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), a insegurança leve envolve preocupação com a falta de alimentos no futuro, a moderada refere-se à redução na qualidade e quantidade da alimentação, e a grave corresponde à situação de fome.

Apesar dos progressos, o monitoramento revela persistentes desafios. O Sistema de Vigilância da Segurança Alimentar e Nutricional, por meio do CadInsan, aponta que Porto Alegre (RS), Curitiba (PR) e Canoas (RS) concentram os maiores números de domicílios em insegurança alimentar grave na região, com 11.975, 5.696 e 4.269 lares, respectivamente. As capitais Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis (SC) somam cerca de 19,5 mil domicílios em risco de agravamento da insegurança alimentar.

Outro instrumento de monitoramento é a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA), aplicada pelas equipes da atenção primária à saúde. Na Região Sul, em média, 2,2% dos lares se enquadram nesse perfil de risco, e 75,5% dessas famílias estão inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), facilitando o acesso a políticas públicas. Um estudo indica que o ingresso no Programa Bolsa Família pode elevar em cerca de 16% as chances de superação da insegurança alimentar em famílias identificadas em risco entre julho e dezembro de 2025. Já os domicílios inscritos no CadÚnico, incluindo beneficiários do programa, apresentam probabilidade 30% maior de sair dessa condição, enquanto famílias sem acesso a esses instrumentos têm chance 18% inferior.

O Protocolo Brasil Sem Fome promove a integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS), o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sisan, permitindo a identificação de famílias em risco e o direcionamento eficiente de atendimentos. As informações geradas pelos sistemas de monitoramento orientam o poder público na identificação de territórios prioritários, no acompanhamento de resultados e na qualificação de políticas para a segurança alimentar e nutricional.

O Encontro Regional do Sisan, realizado de 13 a 15 de abril, reúne gestores e representantes da sociedade civil para debater desafios e estratégias de aprimoramento do sistema. No segundo dia do evento, houve uma visita a equipamentos de segurança alimentar e nutricional de Curitiba, além de debates em cinco Grupos de Trabalho sobre os principais desafios e soluções para o fortalecimento da segurança alimentar no Brasil.

Representantes das Câmaras Intersetoriais de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisans) e Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional (Conseas) apresentaram iniciativas municipais dos três estados da região. Destaques incluem o Programa Mesa Solidária, de Curitiba, criado em 2019 para oferecer refeições gratuitas e de qualidade a pessoas em vulnerabilidade, especialmente a população em situação de rua. Em Ipuaçu (SC), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Indígena promove a segurança alimentar e a economia local na Terra Indígena Xapecó, comprando diretamente a produção de agricultores indígenas. Já em São Leopoldo (RS), o Programa Nutrindo Vidas, iniciado em 2021 durante a pandemia, apoia cozinhas comunitárias em territórios vulneráveis.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *