“Nosso programa contra a malária sofreu os cortes mais drásticos”, afirmou Sania Nishtar, diretora‑executiva da Gavi, a Aliança de Vacinas, que reúne doadores públicos e privados com o objetivo de ajudar os países em desenvolvimento a adquirir vacinas a preços acessíveis.
Os Estados Unidos, que contribuíam com cerca de 25% do seu orçamento, retiraram no ano passado, sob a direção do seu ministro da Saúde, Robert Kennedy Jr., 1,58 bilhão de dólares (R$ 8,8 bilhões, na cotação da época) de financiamento, segundo a Gavi.
A organização apoia a distribuição da vacina contra a malária em 25 países africanos. Esta doença causa, anualmente, cerca de 600.000 mortes, principalmente de crianças, na África.
A Gavi havia estimado que esta implantação permitiria evitar 180.000 mortes durante esse período. O impacto dos cortes “provavelmente se traduzirá em dezenas de milhares de vidas de crianças perdidas”, estimou.
“Se alguma vez viram uma criança hospitalizada sofrendo convulsões relacionadas com a malária, sabem o que isso significa. É uma cena horrível”, comentou a diretora‑executiva.
A Gavi anunciou em 2024 um programa de auxílios de bilhões de dólares para ajudar os futuros fabricantes africanos de vacinas a iniciar suas atividades. No entanto, 18 meses depois, “nenhum dos fabricantes conseguiu receber uma subvenção até agora”, constatou.








