O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, acusou Moscou de “terrorismo nuclear” neste domingo (26), no 40º aniversário do desastre nuclear de Chernobyl, que coincide com a invasão russa.
Em uma mensagem nas redes sociais sobre o aniversário da catástrofe soviética de Chernobyl, Zelensky afirmou que, com a invasão iniciada em 2022, a Rússia está “mais uma vez levando o mundo à beira de um desastre provocado pelo homem”.
“O mundo não pode permitir que esse terrorismo nuclear continue, e a melhor maneira de impedi-lo é forçar a Rússia a interromper seus ataques imprudentes”, acrescentou.
O presidente ucraniano enfatizou que drones russos sobrevoam Chernobyl regularmente. Um deles chegou a colidir com a cobertura protetora da usina no ano passado.
A explosão de 1986 na usina nuclear de Chernobyl foi o pior desastre nuclear civil da história e mudou a percepção global sobre a energia nuclear.
O papa Leão XIV pediu neste domingo que a energia atômica seja usada apenas para fins pacíficos.
O desastre “marcou a consciência da humanidade” e “permanece como um alerta sobre os riscos inerentes ao uso de tecnologias cada vez mais poderosas”, disse ele no Vaticano.
“A serviço da vida”
“Espero que o discernimento e a responsabilidade sempre prevaleçam em todos os níveis de tomada de decisão, para que cada uso da energia atômica esteja a serviço da vida e da paz”, acrescentou.
Estima-se que milhares de pessoas morreram em decorrência da exposição à radiação.
O número exato de vítimas varia.
Cerca de 600 mil pessoas envolvidas na operação de limpeza, conhecidas como “liquidadores”, foram expostas a altos níveis de radiação.
Um relatório da ONU de 2005 estimou o número de mortes confirmadas e estimadas em 4 mil nos três países mais afetados. O Greenpeace estimou, em 2006, que o desastre causou quase 100 mil mortes.
A maioria dos trabalhadores da usina morava na localidade de Pripyat, mas foram deslocados para Slavutich, onde centenas de pessoas se reuniram na madrugada deste domingo, no horário da explosão do reator.
Ataques noturnos
A cerimônia de Chernobyl ocorre em meio à guerra em curso entre Rússia e Ucrânia.
Três pessoas morreram e quatro ficaram feridas na Ucrânia depois que Moscou lançou mais de 100 drones durante a noite, segundo autoridades locais.
Em Sumy, uma região fronteiriça no nordeste do país, um ataque de drones russo matou dois civis, segundo o chefe da administração militar regional.
“O inimigo atacou civis no território da comunidade de Bilopilia (…) a menos de cinco quilômetros da fronteira estatal com a Federação Russa”, resultando na morte de dois homens, um de 48 anos e outro de 72, disse Oleg Grigorov no Telegram.
Ataques de drones e artilharia na cidade de Dnipro, no centro-leste do país, mataram uma pessoa e feriram outras quatro, informou Oleksandr Ganzha, chefe da administração militar regional. Várias casas e veículos foram danificados, acrescentou.
A Força Aérea ucraniana afirma que a Rússia disparou 144 drones durante a noite, dos quais 124 foram interceptados.
Entretanto, o governador de Sebastopol, na península da Crimeia anexada pela Rússia em 2014, relatou uma morte em um veículo durante um ataque de drones ucraniano que danificou várias casas e uma escola em diferentes bairros desta cidade portuária.
Segundo o governador, a Rússia abateu 43 drones.
A guerra está se alastrando para além das fronteiras de Ucrânia e Rússia. A Romênia anunciou que um drone russo caiu em seu território no sábado, o que forçou a retirada de mais de 200 moradores.
Reunidos no Chipre, os líderes europeus aprovaram na quinta-feira a vigésima rodada de sanções contra a Rússia.
© Agence France-Presse








