Quarta-feira, 29/04/26

Fenômenos climáticos extremos aumentam na Europa, que teme El Niño

Fenômenos climáticos extremos aumentam na Europa, que teme El Niño
Fenômenos climáticos extremos aumentam na Europa, que teme El Niño – Reprodução

A Europa sofreu uma sucessão de fenômenos climáticos extremos no ano passado, em um momento em que o continente está se aquecendo mais rápido que o resto do mundo e segue sob ameaça de um retorno do El Niño, revelou um relatório publicado nesta quarta-feira (29).

“Os indicadores climáticos são bastante preocupantes”, afirmou Mauro Facchini, chefe da unidade de observação da Terra da Comissão Europeia, durante uma conversa com jornalistas para a apresentação do relatório.

Publicado pelo serviço europeu sobre mudança climática Copernicus (C3S) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), este estudo, que abrange o ano de 2025, recorda que desde a década de 1980 “a Europa aqueceu duas vezes mais rápido que a velocidade da média mundial”.

A situação pode piorar com o fenômeno El Niño, que provoca um aumento das temperaturas superficiais no centro e no leste do Pacífico equatorial e cuja ocorrência é “provável” este ano, observou a argentina Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, embora seja muito cedo para afirmar com certeza.

Ondas de calor “frequentes e graves”

“As ondas de calor são cada vez mais frequentes e graves” em pelo menos 95% do território europeu, indica o relatório, desde o Mediterrâneo até o Círculo Polar Ártico.

A região da Fino-Escandinávia, no norte da Europa e formada por Finlândia, Suécia e Noruega, viveu a onda de calor mais longa desde que há registros, com 21 dias a 30 ºC ou mais em julho, o dobro do recorde anterior.

Na Europa, multiplicam-se os recordes de calor: na Turquia, a temperatura ultrapassou pela primeira vez os 50 ºC e, na Grécia, 85% da população foi afetada por temperaturas próximas ou superiores a 40 ºC.

O oeste europeu também foi impactado pelas altas temperaturas, desde junho e em agosto em Espanha, Portugal e França, segundo o relatório.

Degelo incontrolável

As geleiras registraram uma perda líquida de massa em 2025. A Islândia, por exemplo, viveu o seu segundo pior degelo anual depois de 2005.

“Segundo as previsões, as geleiras da Europa e de todo o mundo continuarão perdendo massa ao longo do século XXI, seja qual for o cenário de emissões”, o que afeta dois bilhões de pessoas que dependem da água das montanhas, afirma o estudo.

A Groenlândia perdeu 139 gigatoneladas de gelo no ano passado, o suficiente para aumentar o nível do mar em quatro milímetros.

Oceanos, biodiversidade, incêndios

Os oceanos também foram afetados, com um recorde de 86% das regiões oceânicas registrando pelo menos um dia de episódio de calor “intenso”.

Estas ondas de calor têm consequências significativas para a biodiversidade, sobretudo nas pradarias submarinas do Mediterrâneo, que atuam como barreiras marinhas naturais e são sensíveis às temperaturas elevadas.

“São zonas-chave para a biodiversidade que abrigam milhares de peixes por hectare e constituem habitats de reprodução essenciais”, afirmou Claire Scannell, meteorologista-chefe do serviço climático irlandês e uma das autoras do relatório.

As áreas devastadas pelos incêndios florestais atingiram o número recorde de 1.034.550 hectares. Além disso, as tempestades e inundações deixaram pelo menos 21 mortos e afetaram 14.500 pessoas, embora as inundações e as precipitações extremas tenham sido menos generalizadas do que nos últimos anos.

Aumento das energias renováveis

Entre as boas notícias, as energias renováveis representaram, pelo terceiro ano consecutivo, uma parcela superior em comparação às energias fósseis na geração de eletricidade, com 46,6% da produção.

“Não é suficiente. Temos que acelerar”, alertou Dusan Chrenek, assessor principal do serviço de Clima da Comissão Europeia, segundo o qual “temos que nos esforçar para abandonar progressivamente as energias fósseis”.

T LB

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