A Bolsa recua nesta segunda-feira (11), com a recusa dos EUA à resposta do Irã sobre a guerra do Oriente Médio pressionando o mercado acionário. O pregão também é marcado pela temporada de balanços.
Às 11h50, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,79%, a 182.637 pontos.
No mesmo horário, o dólar avançava 0,01%, a R$ 4,896. No exterior, a moeda norte-americana também rondava a estabilidade: o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a seis pares fortes, recuava 0,01%.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a negativa dos EUA à respostas do Irã reacende o temor de inflação global. “O noticiário internacional deve pesar mais, principalmente porque o avanço do petróleo pode influenciar o humor dos juros futuros e o desempenho de companhias ligadas a consumo e transporte”, afirma.
No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a resposta enviada pelo Irã à proposta americana para encerrar a guerra no Oriente Médio.
“Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei -TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu Trump na plataforma Truth Social, com as habituais maiúsculas, sem informar detalhes sobre o conteúdo.
Segundo a imprensa iraniana, Teerã propôs o encerramento imediato da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, a suspensão do bloqueio naval imposto pelas forças americanas, garantias de que não haveria mais ataques, e o fim das sanções econômicas, incluindo as restrições de Washington à venda de petróleo do país persa.
O Irã também teria proposto diluir parte de seu urânio enriquecido e transferir o restante para um terceiro país. Teerã ainda teria exigido compensação pelos danos causados na guerra.
A proposta inicial dos EUA previa a interrupção dos combates antes da abertura de negociações sobre temas mais sensíveis, entre eles o fim do programa nuclear iraniano, o que Teerã rejeita.
A incerteza pressiona os preços do petróleo, que voltam a subir. O barril Brent, referência mundial, chegou a ter alta de 4,62%, sendo vendido a US$ 105,97. Por volta das 11h50, a commodity avançava 2,36%, a US$ 103,70.
As indefinições eram responsáveis por altas tímidas em Wall Street, onde as Bolsas rondavam a estabilidade. Por volta das 11h50, o Dow Jones subia 0,07%, enquanto o S&P 500 e a Nasdaq avançavam 0,14% e 0,11%, respectivamente.
Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, diz que o mercado reincorpora o prêmio de risco geopolítico que havia sido parcialmente removido. “A rigidez das exigências iranianas sugere que qualquer acordo segue distante, o que tende a manter o Brent em patamares elevados enquanto o impasse persistir”.
Para ele, analistas devem observar o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. A expectativa é que o presidente norte-americano pressione o líder chinês sobre as receitas que o país gera ao Irã.
Segundo um funcionário de alto escalão dos EUA, Trump já abordou Xi Jinping, em “múltiplas ocasiões”, a questão das receitas que a China gera para o Irã e a Rússia através da venda de petróleo. O funcionário afirmou esperar que esta conversa continue.
No Brasil, o impacto da continuidade do conflito é misto. Por um lado, o real e a Bolsa brasileira são beneficiados pela distância do país em relação ao conflito e pela exposição do país ao petróleo. Por outro, o aumento das incertezas ligadas ao petróleo pode gerar um movimento global de fuga de ativos voláteis para ativos seguros.
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado vinha esperando a redução das tensões nos últimos pregões. Caso o cenário sinalize alguma inversão, é provável que haja um movimento maior de correções em Bolsas e moedas.
“[Analistas] talvez tenham precificado uma queda relevante do petróleo de maneira muito rápida nos ativos. O mercado não trabalha com a manutenção desses níveis mais elevados. O grande risco é justamente esse cenário não se concretizar, porque ele já está bastante implícito nos preços”.
Segundo ele, o Brasil, por ser um mercado emergente, acaba sendo considerado um ativo de maior risco.
“Assim, uma reescalada do conflito provavelmente significaria dólar em alta, curva de juros no Brasil também para cima e Bolsa para baixo”.
Economistas preveem alta na inflação ao longo de 2026. De acordo com analistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus, o IPCA deve encerrar o ano a 4,91%, ante 4,89% da última previsão. O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
“Isso sugere que o investidor segue vendo crescimento moderado, mas com juros altos por mais tempo para ancorar expectativas, o que é pouco amigável para a renda variável em geral”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
Ainda no cenário doméstico, destaque para a temporada de balanços. O BTG registrou um lucro ajustado de R$ 4,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 42% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os papéis do banco subiam 0,15%, a R$ 58,74 cada um, por volta das 11h50. Na máxima, subiram 3,6%, e na mínima, caíram 0,14%.
O pregão também conta com a estreia das ações da Compass, companhia de gás e energia da Cosan. É o primeiro IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) em quase cinco anos na B3 (Bolsa de Valores brasileira).
Por volta das 11h50, as ações caíam 0,32%, cotadas a R$ 27,90 cada. Na máxima da sessão, os papéis avançaram 1,25%, enquanto, na mínima, chegaram a recuar 1,42%.







