Segunda-feira, 11/05/26

Delegado é denunciado pelo MP por intolerância religiosa em investigação de maus-tratos a animais

Delegado é denunciado pelo MP por intolerância religiosa em investigação de maus-tratos a animais
Delegado é denunciado pelo MP por intolerância religiosa em investigação – Reprodução

APURAÇÃO

Humberto Teófilo afirma que ação foi “estrito cumprimento do dever legal” e que caso já havia sido arquivado anteriormente; MPGO confirma oferecimento da denúncia

Delegado é denunciado pelo MP por intolerância religiosa em investigação de maus-tratos a animais (Foto: Reprodução)

O delegado Humberto Teófilo disse em suas redes sociais, nesta segunda-feira (11), que foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por racismo religioso em razão de abordagem policial durante uma investigação sobre o suposto sacrifício de animais. Na gravação, ele nega qualquer motivação religiosa durante a atuação.

“Querem criminalizar a conduta de policiais por investigar determinadas pessoas que estão sacrificando animais domésticos”, disse em vídeo. Em nota pública, Humberto Teófilo afirmou que “nunca houve qualquer motivação religiosa na atuação policial. O que existiu foi apenas o dever legal de averiguar denúncias formalizadas envolvendo possível prática criminosa”.

LEIA TAMBÉM:

Ele também disse receber a decisão “com profunda tristeza e indignação” e classificou a denúncia como medida que “enfraquece a atividade policial e gera insegurança aos profissionais que estão na linha de frente do combate ao crime”.

O caso havia sido arquivado pela Justiça após o delegado responsável pelo inquérito concluir pela inexistência de crime, com concordância do promotor que acompanhou as investigações. A denúncia foi apresentada depois que os denunciantes recorreram à instância superior do MP. Segundo Humberto Teófilo, o caso começou há mais de um ano.

Ao Mais Goiás, o Ministério Público informou que não concederá entrevistas sobre o assunto no momento. Esclareceu apenas que a denúncia foi oferecida pelo MP, mas ainda não foi recebida pela Justiça.  

(Foto: Sergio Rocha – Alego)

Vídeo

Segundo o delegado na gravação, a investigação começou após denúncias acerca de maus-tratos de animais, com o suposto sacrifício de cães e gatos para um ritual. “Eu e minha equipe realizamos abordagem na rua para verificar se aquele grupo estaria fazendo sacrifício, se havia restos de animais, carcaças ou qualquer elemento relacionado à denúncia que chegou até mim. Uma simples abordagem policial. Naquele momento, nada foi encontrado”, detalhou.

Após a ação, Teófilo explica que o grupo investigado foi à delegacia e registrou uma ocorrência contra ele e sua equipe. “Tentaram e tentam transformar a ação policial em racismo religioso.” À época, o caso foi arquivado, inclusive, com concordância do MP, segundo o policial.

LEIA MAIS:

Porém, segundo ele, o grupo recorreu da decisão do Ministério Público, e uma procuradora de Justiça entendeu haver indícios de crime e determinou a denúncia contra o delegado e outros policiais. “É lamentável ver uma estrutura tão importante sendo usada para enfraquecer quem está combatendo crime. É lamentável a postura dessa procuradora de justiça. Isso enfraquece a polícia. Gera medo no policial que está na rua.”

Transferências

O delegado Humberto Teófilo está desde março atuando em funções administrativas na Secretaria de Segurança Pública. Na ocasião, ele confirmou nas redes sociais sua remoção da Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia. Ele havia sido transferido da mesma delegacia de Goiânia para o local em novembro passado.

Em vídeo, à época, ele afirmou que a transferência ocorreu após combater por meses o tráfico de drogas e facções criminosas, inclusive, com mais de 70 prisões de faccionados, além de outras operações. “Esse enfrentamento enérgico me trouxe consequências. Passei a ser alvo de ameaças do crime organizado. Diante desse cenário, a Diretoria-Geral entendeu pela remoção da minha delegacia e da minha lotação em uma área administrativa, sem qualquer função operacional.”

Em nota, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) disse que as movimentações funcionais de seus policiais ocorrem conforme critérios de conveniência e oportunidade da Direção-Geral, observando as necessidades do serviço público e a adequada gestão de pessoal da Instituição. “Eventuais alterações de lotação ou designações para funções administrativas ou operacionais integram a dinâmica de organização interna do órgão, não sendo medidas excepcionais, mas instrumentos legítimos de gestão institucional”, detalhou.

LEIA AINDA:


T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *