Quinta-feira, 14/05/26

Enfermagem pressiona Câmara por jornada de 36 horas em sessão solene

Enfermagem pressiona Câmara por jornada de 36 horas em sessão solene
Enfermagem pressiona Câmara por jornada de 36 horas em sessão – Reprodução

Representantes da enfermagem e parlamentares transformaram a sessão solene em homenagem ao Dia Internacional da Enfermagem, realizada nesta quarta-feira (13), na Câmara dos Deputados, em um ato político de cobrança. O foco foi a exigência de que o Senado Federal paute e aprove a Proposta de Emenda à Constituição 19/24, que estabelece a jornada de trabalho de 36 horas semanais para a categoria e assegura a aplicação plena do piso salarial.

O autor do requerimento para a sessão, deputado Bruno Farias (Republicanos-MG), destacou a exaustão dos profissionais e a falta de reconhecimento por parte dos gestores. “Não há o que comemorar. A enfermagem pede socorro porque não aguenta mais sofrer. Temos R$ 11 bilhões aprovados para o piso e estão sendo usados apenas R$ 8 bilhões. O recurso existe, falta sensibilidade política”, afirmou o parlamentar.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), também autora do pedido para a sessão, denunciou manobras que reduzem o valor do piso salarial por meio da aplicação de jornadas de 44 horas semanais. Segundo ela, a aprovação da PEC 19/24 é essencial para garantir a dignidade salarial e impedir que gratificações sejam incorporadas para mascarar o não pagamento do valor base. “O piso é lei e precisa ser cumprido. Inventaram o denominador de 44 horas para diminuir o valor do piso. Isso é uma fraude”, declarou a deputada. Ela ressaltou a importância da mobilização junto ao Senado para que a proposta seja votada rapidamente em regime especial.

Representando o Ministério da Saúde, o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, apresentou dados da demografia da enfermagem no Brasil. A categoria representa 70% da força de trabalho da saúde no país, composta em 87% por mulheres. Proenço citou ações da pasta para apoiar os profissionais, incluindo investimento em 17 mil bolsas de residência, sendo 6 mil para enfermeiros; programa de formação na especialização técnica de auxiliares e técnicos de enfermagem; e monitoramento dos repasses para garantir que o recurso do piso chegue aos mais de 750 mil trabalhadores que dependem da complementação federal.

A conselheira federal do Cofen, Helen Márcia Perez, reforçou que a enfermagem enfrenta violência e sobrecarga, apesar de mover a saúde do país. “Valorizar a enfermagem significa garantir descanso digno e enfrentar a exaustão permanente. Quem move a saúde move o país, e merece mais do que aplausos”, pontuou.

A presidente da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), Solange Caetano, lembrou que, além do piso, é urgente o cumprimento da lei do descanso para profissionais em instituições públicas e privadas.

Participaram da sessão a senadora e enfermeira Roberta Acioly (Republicanos-RR), os deputados Jorge Solla (PT-BA), Zé Neto (PT-BA) e Erika Kokay (PT-DF), além de representantes da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e dos conselhos regionais.

T LB

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