Sexta-feira, 15/05/26

Risco de extinção de jumentos no Brasil mobiliza Câmara contra abate

Risco de extinção de jumentos no Brasil mobiliza Câmara contra abate
Risco de extinção de jumentos no Brasil mobiliza Câmara contra – Reprodução

Cientistas e ativistas destacaram o risco de extinção dos jumentos no Brasil durante audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (14). Eles pediram a aprovação imediata do Projeto de Lei 2387/22, que proíbe o abate do animal para consumo, comércio ou exportação.

A população de jumentos no país caiu de 1,3 milhão no fim dos anos 90 para 78 mil em 2025, uma redução de 94%, segundo a The Donkey Sanctuary, instituição internacional dedicada ao tema. Há risco de extinção da espécie até 2030. A diminuição está associada ao abate para aproveitamento da pele, usada na produção de ejiao, remédio da medicina tradicional chinesa, e da carne como subproduto para ração animal.

O fluxo de exportação ocorre de forma ilegal no Brasil, conforme José Roberto Lima, presidente da Comissão de Medicina Veterinária Legal da Bahia. Animais são capturados no Nordeste, aglomerados em fazendas e levados a frigoríficos para abate e exportação, sem histórico de saúde ou rastreabilidade. Casos de anemia infecciosa equina e mormo foram constatados nesses animais.

Dados de exportações foram apresentados de frigoríficos em Amargosa, Simões Filho e Itapetinga, na Bahia, com a maior parte destinada à China e Hong Kong, além de remessas para a União Europeia.

Eduardo Santurtun, diretor das Américas da The Donkey Sanctuary, destacou que a União Africana proíbe o abate de jumentos em 55 países desde 2024 e apelou para que o Brasil lidere o movimento na América Latina.

O deputado Célio Studart (PSD-CE), organizador do debate, garantiu pressão para que a Comissão de Constituição e Justiça conclua a votação do projeto, já aprovado nas Comissões de Agricultura e de Meio Ambiente. Ele mencionou que, nos mais de dois anos de espera, cerca de 250 mil jumentos morreram.

A bióloga Patrícia Tatemoto, coordenadora de campanhas na The Donkey Sanctuary, explicou que jumentos não são viáveis para criação intensiva, mas podem ser usados como animais de estimação, na agricultura familiar e na preservação de ecossistemas como a Caatinga. Eles controlam espécies invasoras, consomem plantas não consumidas por nativos, encontram água, promovem dispersão de sementes e contribuem para a restauração ecológica, segundo publicações na revista Science.

Globalmente, existem 53 milhões de jumentos, dos quais 10% são abatidos para ejiao. O mercado desse remédio cresceu de US$ 3,8 bilhões em 2015 para US$ 7,2 bilhões em 2022. A demanda por peles passou de 1,2 milhão de unidades em 2013 para uma projeção de 6,8 milhões em 2027. Especialistas estudam alternativas éticas e sustentáveis para o colágeno.

T LB

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