O preço do petróleo voltou a superar US$ 110 após 13 dias. O barril Brent, referência mundial, chegou a ser vendido a US$ 111,99 na sessão desta segunda-feira (18), alta de 2,5%, em relação ao fechamento de sexta-feira (15).
O contrato de julho atingiu o seu maior patamar desde 5 de maio, quando atingiu US$ 114,44. O auge foi alcançado logo no início das negociações no mercado internacional, às 22h15 (horário de Brasília) de domingo (17), quando os contratos eram negociados no mercado asiático.
O barril Brent manteve-se em US$ 111 até as 4h de segunda-feira, quando passou a cair. Às 9h45, ele chegou a cair a US$ 107, mas voltou a subir e estava em US$ 110,88, alta de 1,49%, às 12h50. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a US$ 104,36, mas caiu a US$ 102,82 às 12h50.
O aumento no começo da sessão desta segunda foi impulsionada pelas perspectivas negativas sobre o fim da guerra entre EUA e Israel contra Irã. Os analistas repercutiam o ataque a uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos ocorrido no domingo, que deixou a possibilidade de um acordo mais distante.
O Irã ainda informou que enviou sua resposta à proposta de paz feita pelos EUA. O Paquistão, negociador entre as partes, confirmou que recebeu o documento e encaminhou aos norte-americanos. “Os pontos destacados são demandas iranianas que tem sido firmemente defendidas pelo país a cada rodada de negociações”, afirmou o porta-voz do ministério de Relações Exteriores, Esmail Baqai, nesta segunda.
O regime defende manter o controle sobre o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, o fim das sanções impostas pelos EUA, o encerramento do bloqueio norte-americano a navios que se dirigem aos portos do Irã e a manutenção do programa nuclear, que diz ser para fins civis.
No domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã caso o país não aceite a proposta norte-americana. “Para o Irã, o tempo está acabando, e é melhor eles se mexerem, rápido, ou não restará nada deles”, advertiu o republicano em sua plataforma Truth Social.
Enviados dos dois países não conversam diretamente desde uma reunião no Paquistão em meados de abril. O tráfego em Hormuz está bloqueado pelo Irã desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra. Na metade de abril, foi a vez de os EUA também paralisarem o trânsito na região com o bloqueio aos portos iranianos.
“Um bilhão de barris de petróleo ficaram presos atrás do estreito, e a recuperação de sexta-feira, que levou o WTI a um aumento de US$ 10 na semana, também foi apoiada pela retórica beligerante dos EUA e do Irã, bem como pelos ataques contínuos aos produtores de petróleo da região e aos navios comerciais”, avaliou Tamas Varga, analista da PVM .
Com as negociações paralisadas e o envio de petróleo paralisado, o presidente da AIE (Agência Internacional de Energia), Fatih Birol, afirmou que os estoques comerciais de petróleo estavam se esgotando rapidamente, restando apenas algumas semanas de suprimentos.
A Alemanha e a Coreia do Sul solicitaram ao Irã que libere o tráfego em Hormuz e interrompa os ataques aos países vizinhos. “Os ataques a instalações nucleares representam uma ameaça à segurança das pessoas em toda a região. Não deve haver mais escalada de violência”, afirmou o chanceler alemão, Friedrich Merz, em um post no X.
BOLSAS OSCILAM PELO MUNDO
As Bolsas reagiram de formas diferentes à indefinição sobre o acordo de paz no Oriente Médio. A maioria dos mercados na Ásia caiu na segunda-feira, com exceção de Seul, que subiu 0,31%.
O índice CSI300, que reúne as principais companhias de Xangai e Shenzhen, caiu 0,54%, assim como o SSEC, em Xangai, que desvalorizou 0,09%. A mesma situação foi vista em Tóquio (-0,97%), Hong Kong (-1,11%) e Taiwan (-0,68%).
O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em alta de 0,58%, sendo seguido por Frankfurt (1,55%), Londres (1,26%), Paris (0,44%) e Madri (0,16%). A exceção foi Milão, que teve queda de 0,97%.
Nos EUA, as três principais Bolsas registravam desvalorização às 12h50: Dow Jones (-0,03%), S&P 500 (-0,38%) e Nasdaq (-0,79%).








