Terça-feira, 19/05/26

Presidente do STJ critica lobby em votações sobre decisões judiciais durante congresso

Presidente do STJ critica lobby em votações sobre decisões judiciais durante congresso
Presidente do STJ critica lobby em votações sobre decisões judiciais – Reprodução

São Paulo, 18 – O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, afirmou que a magistratura não pode servir como “barriga de aluguel” de grupos externos que tentam influenciar votações de enunciados debatidos e aprovados em congressos do Judiciário.

“Isso é inadmissível, porque nós não somos barriga de aluguel de ninguém. Na República e no Estado de Direito, a magistratura não é barriga de aluguel de ninguém”, afirmou nesta segunda-feira, 18, durante a abertura do 2º Congresso STJ da Segunda Instância Federal e Estadual, em Brasília.

Os enunciados funcionam como diretrizes, sintetizando o entendimento sobre questões que apresentem controvérsias ou norteando a interpretação jurídica sobre a aplicação das leis. Em congressos promovidos pelo STJ com magistrados de primeira e segunda instâncias, essas orientações são propostas, discutidas e votadas e, conforme o ministro, “exercem influência relevante sobre decisões judiciais em todo o País”.

Segundo Herman Benjamin, experiências anteriores do evento mostraram a atuação coordenada de grupos para aprovar ou derrubar entendimentos. “Fomos vendo lobbies se organizarem e virem em bloco para as jornadas e derrotarem propostas que contavam com a esmagadora aprovação dos magistrados, com base na jurisdição, na sua experiência, ou aprovarem propostas que contrariavam a jurisprudência e o entendimento da magistratura brasileira”, disse.

Herman explicou que o modelo adotado no 2º Congresso STJ da Segunda Instância Federal e Estadual permite que integrantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, da advocacia, da academia e servidores do Judiciário apresentem propostas, mas restringe a votação exclusivamente a juízes e desembargadores.

O ministro também relatou situações em que participantes deixavam uma sala de votação para atuar em outra com objetivo de alterar resultados.

“De repente, do nada, uma sala é esvaziada. Saem todos. É o lobby organizado. Indo para uma outra sala para derrotar ou para aprovar uma proposta que depois sai com a rubrica da magistratura brasileira”, declarou.

Ele defendeu maior integração entre os diferentes ramos da magistratura e afirmou que juízes têm posição privilegiada para identificar lacunas e problemas na legislação, embora mudanças nas leis devam ser feitas pelo Congresso Nacional em respeito à separação dos Poderes.

Estadão Conteúdo

T LB

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