Brasília, 25 – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou ontem a União e os Estados da Amazônia Legal e do Pantanal para que informem, em até dez dias, como estão se preparando para lidar com os riscos de um super El Niño Meteorologistas também observam indícios mais fortes de que o fenômeno climático deve se consolidar ainda no próximo mês.
O El Niño eleva o risco de chuvas extremas no Sul do País e tende a agravar a seca e aumentar o risco de incêndios florestais no Norte e no Nordeste. Em nota enviada ao STF, o Ibama estimou que o fenômeno deve atingir seu pico de intensidade entre setembro e outubro deste ano.
Dino também citou nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que destaca o alto risco de incêndios na Amazônia a partir do segundo semestre deste ano, podendo se estender até, pelo menos, o início de 2027. “Determino a intimação da União e dos Estados da Amazônia Legal e do Pantanal para que informem expressamente as providências de planejamento e de preparação adotadas, diante da confirmação das projeções que indicam incremento significativo dos riscos de incêndios florestais, especialmente no segundo semestre de 2026”, diz a decisão.
AÇÃO
O despacho de Dino foi publicado em ação que acompanha medidas para combater e prevenir incêndios na Amazônia e no Pantanal. Ele é relator do processo. A ação foi ajuizada em 2021 pela Rede Sustentabilidade, que apontou insuficiência das políticas de prevenção e combate a incêndios e ao desmatamento na Amazônia Legal e no Pantanal.
O Supremo julgou o pedido em 2024, quando exigiu a apresentação de um plano de prevenção e combate aos incêndios por parte do governo federal. Como relator, Dino tem realizado audiências para monitorar o cumprimento dessa decisão.
PROJEÇÕES
As projeções da Climatempo indicam que o El Niño deve se formar oficialmente em junho e há uma alta probabilidade de o fenômeno atingir intensidade de forte a muito forte. De acordo com a empresa de meteorologia, os mapas mostram a projeção do aquecimento da porção central e leste do Pacífico Equatorial até setembro de 2026.
“A média da temperatura da água do mar nesta região é a referência do monitoramento do El Niño. Quanto mais forte o tom de vermelho, mais quente. O vermelho-escuro indica que a temperatura na superfície da água do mar pode ficar mais de 2 °C acima da média”, afirma Josélia Pegorim, da Climatempo. Segundo ela, a projeção atual é de que, até setembro deste ano, esse aquecimento intenso poderá ocorrer numa grande área, desde a costa do Peru até o meio do Pacífico Equatorial.
Estadão Conteúdo







