A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, afirmou nesta quarta-feira (27) que o homem não conhece Deolane Bezerra e Everton de Souza, presos por suspeita de lavar dinheiro para o PCC em São Paulo.
Advogado disse que conversou com Marcola na segunda-feira (25), na Penitenciária Federal de Brasília. O encontro com o defensor Bruno Ferullo aconteceu quatro dias após a prisão da influenciadora.
Marcola negou qualquer relação com a transportadora investigada por lavar dinheiro para o PCC, segundo o advogado. Ele disse, ainda, que o único vínculo com os alvos da operação Vérnix é seu parentesco com Alejandro Camacho, seu irmão, e Leonardo e Paloma Camacho, seus sobrinhos.
O líder do PCC reagiu com “surpresa e indignação” quando foi informado que também era alvo da operação, de acordo com o advogado. Marcola, que está preso desde 1999, foi um dos alvos da operação e teve outro mandado de prisão cumprido contra ele dentro da prisão.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, Deolane recebia dinheiro de uma transportadora ligada a Marcola e ao irmão dele. A transportadora era operada por dois laranjas, que estão foragidos.
Já Everton seria o articulador financeiro responsável por organizar as transferências das contas dos laranjas para a influenciadora. Registros de conversas obtidos pelo MP mostram o homem pedindo um depósito na conta de Deolane a um dos representantes da transportadora.
PRESA POR SUSPEITA DE ELO COM O PCC
Deolane foi presa na última quinta-feira (21) sob suspeita de integrar um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A investigação teve origem em bilhetes e manuscritos atribuídos à facção apreendidos há sete anos em um presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Segundo a polícia, os documentos continham ordens internas do grupo e referências a integrantes do alto escalão da organização criminosa.
Tal menção levou a polícia a investigar transportadoras próximas à penitenciária. No inquérito, as autoridades identificaram Elidiane Saldanha Lopes Lemos, sócia da Lopes Lemos Transportes Ltda.
Segundo a polícia, a apuração avançou a partir dessa transportadora e descobriu que a empresa não era apenas uma prestadora de serviços, mas uma “criação da própria facção”.
Bilhetes não mencionaram o nome de Deolane diretamente. No entanto, eles foram o pontapé inicial que permitiu às autoridades chegarem até ela em fases posteriores.
Deolane foi identificada como beneficiária de vultosos valores oriundos da transportadora. Segundo os autos, ela teria recebido valores da empresa, descrita pelas autoridades como criada para operar o “branqueamento de recursos ilícitos”.
Para os investigadores, ela era um “caixa do crime organizado”. Segundo as apurações, o dinheiro do crime era depositado na conta dela para se misturar com outros valores e ser devolvido em momentos oportunos.
Fontes da Polícia Civil afirmaram que Deolane “sentiu o baque” ao descobrir que os mandados tinham relação com uma transportadora. Uma das maiores evidências de que ela tinha conhecimento da ação criminosa para a polícia é a inexistência de qualquer contrato, mesmo com a grande movimentação financeira.
Durante a audiência de custódia, a defesa pediu a libertação da influenciadora alegando que ela tem uma filha menor de 12 anos. Defesa também recorreu ao STF, mas o ministro Flávio Dino disse não ver “manifesta ilegalidade” na prisão e argumentou que não cabe reclamação ou habeas corpus de ofício dado que ainda há outras instâncias para o processo percorrer antes de chegar no STF.
Defesa de Deolane afirma que ela é inocente e criticou a operação. Os advogados classificaram as medidas adotadas como “desproporcionais” e disseram que os fatos serão esclarecidos “em momento oportuno”.








