Domingo, 07/06/26

Americano pega perpétua por matar esposa com ajuda de babá brasileira

Americano pega perpétua por matar esposa com ajuda de babá brasileira
Americano pega perpétua por matar esposa com ajuda de babá – Reprodução

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

Brendan Banfield, condenado por matar a esposa em um plano com a au pair da família, a brasileira Juliana Peres, foi sentenciado à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional nos EUA. Ele também foi responsabilizado pelo assassinato de um homem, atraído ao local do crime.

O homem de 41 anos recebeu a pena máxima após ouvir familiares das vítimas em um tribunal da Virgínia. Ao anunciar a sentença, a juíza Penney S. Azcarate afirmou que “o nível de crueldade, cálculo e desumanidade neste caso reflete algo muito mais profundo do que raiva ou impulso. Reflete maldade”. O crime aconteceu em 2023.

Decisão também impôs penas adicionais, cumpridas em sequência, por crime com arma e por colocar uma criança em risco. Essa última acusação, segundo informações da CNN, está ligada à filha pequena do casal, que estava na casa em Herndon no momento dos assassinatos.

Promotoria diz que Banfield e a au pair Juliana Peres, com quem ele mantinha um caso, atraíram Joseph Ryan, também assassinado, para a residência com o objetivo de incriminá-lo. Segundo os investigadores, os dois criaram perfis falsos na internet e combinaram um encontro sexual para levar Ryan ao local e montar a cena do crime.

Antes da sentença, Banfield voltou a negar culpa e disse que o caso da acusação tinha falhas. “Não estou tentando diminuir de forma alguma o que foi a vida da Christine. Ela realmente era uma mãe carinhosa, uma esposa carinhosa, uma enfermeira amorosa”, declarou, antes de completar: “Mas eu não sou responsável pela morte dela”.

Famílias das vítimas falaram sobre a perda e criticaram a versão apresentada pelo réu no julgamento. A irmã de Christine, Danielle Hocker, disse: “Desde que a perdi, essas mesmas memórias mudaram. Elas não são mais apenas alegres, mas carregadas de luto, cada uma lembrando tanto o quanto eu tinha quanto o quanto foi tirado”.

A babá Juliana Peres Magalhães, de 26 anos, relatou ao júri que o casal criou uma conta falsa para se passar por Christine e atrair um homem em um site de fetiche. Na abertura do processo, a promotora Jenna Sands resumiu a mensagem atribuída ao perfil: “Christine estará dormindo na cama. Venha direto para cima. Tire as roupas. Amarre ela. Estupre. Simples e divertido. Foi assim que isso foi colocado”.

Juliana disse que Banfield queria ficar com ela, mas não queria pagar um divórcio nem dividir a guarda da filha, e por isso teria planejado matar a esposa. De acordo com o depoimento, após Ryan chegar à casa na manhã de 24 de fevereiro de 2023, Banfield atirou nele e depois esfaqueou Christine.

Ela morava na casa onde o crime aconteceu e foi babá da família por dois anos antes de ser presa. Ela estava em um programa de intercâmbio e cuidava da filha do casal. A mansão onde eles moravam era avaliada em US$ 1 milhão (mais de R$ 5 milhões).

Defesa apresentou outra versão e afirmou que Banfield atirou ao ver Ryan atacando Christine no quarto. No julgamento, ele chamou a acusação de conspiração para matar a esposa de “absolutamente maluca” e disse que usou a arma de serviço ao entrar no cômodo.

Banfield foi considerado culpado por duas acusações de homicídio qualificado, pelas mortes de Christine Banfield e Joseph Ryan. Em fevereiro, o caso já havia sido relatado após o veredito, e a expectativa era de pena máxima.

Juliana Peres Magalhães se declarou culpada em outubro de 2024 por homicídio culposo pela morte de Ryan, em acordo para cooperar com a acusação. Mesmo com a recomendação conjunta de tempo já cumprido, a juíza a condenou a dez anos de prisão.

Ao definir a pena da brasileira, a juíza disse que ela agiu de forma deliberada e com desprezo pela vida humana. “Suas ações foram deliberadas, egoístas e demonstraram um profundo desrespeito pela vida humana”, afirmou Azcarate.

T LB

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