O atual surto de ebola na África avança em meio às guerras no leste da República Democrática do Congo (RDC) e à redução da cooperação internacional na área da saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o cenário humanitário e a mobilidade de populações deslocadas favorecem a disseminação do vírus.
O epicentro da crise está na província de Ituri, no nordeste da RDC, responsável por 93% dos 676 casos confirmados no país. As províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul também estão entre as mais afetadas, em uma região marcada por disputas entre grupos armados e dificuldade de acesso para as equipes de saúde.
A OMS informou que o surto continua a evoluir rapidamente. Além da RDC, Uganda também registra casos ligados à transmissão originada no território congolês. Até 11 de junho, o país vizinho somava 19 casos confirmados e dois óbitos, sem novos registros nos seis dias anteriores, segundo a organização.
Autoridades e especialistas apontam que a resposta enfrenta obstáculos adicionais com a queda da cooperação internacional em saúde. Entre os fatores citados estão a saída dos Estados Unidos da OMS e a redução dos recursos destinados à ajuda internacional. Na RDC, a ajuda prevista no orçamento norte-americano caiu cerca de 90%, de US$ 1,41 bilhão em 2024 para US$ 0,14 bilhão em 2026.
Apesar disso, os EUA ainda aparecem como o maior país doador para o combate ao ebola, com cerca de US$ 338 milhões em assistência humanitária à RDC, ao Sudão do Sul e a Uganda, de acordo com o texto. A União Europeia anunciou € 15 milhões em assistência humanitária adicional para o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC da África).
A União Africana e a OMS publicaram um plano para conter a expansão do vírus e pediram US$ 517 milhões para os próximos seis meses. O CDC da África apontou a escassez de profissionais — como epidemiologistas, clínicos e especialistas de laboratório — e a falta de insumos como alguns dos principais entraves ao controle do surto.
Na semana passada, a OMS informou que três laboratórios na RDC ficaram sem insumos para testes de detecção do vírus. Dados da organização registrados até 10 de junho indicam 676 casos confirmados e 136 mortes na RDC, além de 37 pessoas recuperadas nos dois países.








