Uma nuvem de poeira constante virou rotina e motivo de alerta na QNL 7, em Taguatinga. Com as obras de pavimentação paralisadas há cerca de dois meses, a comunidade da quadra residencial convive com veículos cobertos de terra e, o mais grave: o risco à saúde de idosos e de crianças.
Além de sofrer com a sujeira que invade as casas e ver a qualidade de vida afetada pela poeira, a vizinhança enfrenta o silêncio da administração pública. A estudante Bruna Ferreira, de 24 anos, conta que o projeto deveria ter sido entregue em maio, mas o cronograma ficou apenas no papel e as máquinas sumiram da quadra.
“Isso foi muito mal planejado. Prometeram retirar o asfalto e recolocar em menos de duas semanas, com previsão de término para o mês passado, mas isso não aconteceu. Tiraram o asfalto de três ruas de uma vez só e acabou que não resolveu nada. Agora temos pessoas passando mal, idosos adoecendo por causa dessa irresponsabilidade e até animais que estão no veterinário por causa da poeira. Eles prometeram acabar no início deste mês e nada, nem respondem mais às nossas reclamações e nos ignoram completamente”, diz.
A frustração na quadra é tão grande que o asfalto velho virou motivo de saudade para quem hoje convive com o chão de terra e esburacado. Com a vassoura na mão desde as primeiras horas da manhã, Maurita Guimarães, de 83 anos, desabafa sobre a rotina exaustiva de limpar a casa para tentar vencer a poeira.
“Arrancaram todo o asfalto de uma vez só e abandonaram o serviço. Para que fazer isso se não iam terminar? Era melhor ter deixado o chão do jeito que estava antes. Agora deu uma trégua passageira porque a chuva lavou um pouco a rua, mas a sujeira dentro de casa é um absurdo. Quase todo dia começo às 7 horas da manhã com a vassoura na mão. Fico exausta tentando tirar essa poeira que toma conta de tudo.”
O problema se agrava nos horários de pico da escola da quadra, quando o vaivém de carros e ônibus levanta a poeira. A dona de casa Diana Arruda, de 54 anos, lamenta que o filho não melhorou da rinite desde o início da obra e que agora precisa mudar o trajeto a pé para protegê-lo.
“A situação perto da escola, entre 13h20 e 17h30, fica simplesmente insuportável. Para fugir de tanta poeira, nós passamos a mudar de caminho, dando uma volta maior lá pela frente do nosso prédio. Meu filho tem rinite e, desde que começaram a mexer aqui, ele não sarou mais. Está um absurdo, ninguém aguenta. A chuva de madrugada deu um alívio hoje, mas o asfalto foi arrancado há dois meses. Eles prometeram, mas nada de fato foi resolvido até agora.”
O que dizem a Novacap e o SLU
Em nota, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) explica que se trata de uma obra de recapeamento asfáltico com maquinário e recursos próprios do Governo do Distrito Federal (GDF).
Embora admita que houve uma interrupção nos trabalhos devido a uma falha operacional na usina de asfalto, a Companhia garantiu que o problema já foi resolvido e negou a paralisação das obras. Segundo a empresa pública, os operários já voltaram à QNL 7 e o novo prazo para a conclusão é de até 10 dias úteis.
A Companhia acrescentou que o cronograma para as demais vias ainda está sendo fechado. Como o preço final depende dos materiais que serão usados no retorno dos operários, o valor exato do investimento ainda não foi consolidado.
Além das obras asfálticas, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) também se manifestou sobre a rotina na quadra. A autarquia informou que a limpeza pública e as coletas de resíduos na QNL 7 seguem normais. A coleta convencional é realizada no período noturno, às terças, quintas e sábados, enquanto a seletiva ocorre no período diurno, às segundas, quartas e sextas-feiras. O SLU ressaltou que o serviço de varrição manual na região é feito com frequência semanal.








