ALÉXIA SOUSA
FOLHAPRESS
Três policiais militares foram presos sob suspeita de facilitar a fuga de um miliciano detido em uma blitz na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo a investigação, o homem tentou deixar a viatura da PM em frente à 35ª DP (Campo Grande) após trocar de roupa com um comparsa, que permaneceria no lugar dele dentro do veículo.
Os policiais militares Rafael Veras da Silva, Gelson Pereira de Souza Filho e Jefferson Cândido Jatobá pagaram fiança e vão responder em liberdade pela suspeita do crime de facilitação de fuga.
Em nota, a Polícia Militar informou que análises preliminares apontam que os agentes “teriam tentado substituir um preso” apresentado na delegacia.
A defesa dos policiais não foi localizada pela reportagem.
O caso ocorreu na noite de terça-feira (23). Policiais militares do 40º BPM (Campo Grande) realizavam uma blitz na Estrada do Campinho, em Inhoaíba, quando abordaram um Hyundai HB20 que fazia manobras perigosas.
No veículo estava Marcos Paulo Rodrigues Júnior, conhecido como Orelha, apontado pela polícia como operador financeiro da milícia que atua na região. Com ele, os agentes apreenderam uma pistola calibre 9 mm, cinco carregadores municiados, dois telefones celulares e o automóvel.
Após a prisão, Marcos Paulo foi levado para a 35ª DP. Conforme a Polícia Civil, policiais da unidade perceberam movimentações suspeitas em frente à delegacia e passaram a monitorar a situação.
Câmeras de segurança da delegacia registraram uma aglomeração ao redor da viatura da PM. Em determinado momento, Marcos Paulo trocou de roupa com Lorran Siaca do Vale, que, segundo a investigação, permaneceria preso no lugar do miliciano. Não foi informado como Lorran tomou conhecimento do caso e chegou ao local.
Nas imagens, Marcos Paulo aparece retirando uma camisa vermelha e vestindo uma branca antes de tentar deixar o local.
A tentativa de fuga, no entanto, foi percebida por policiais civis, que impediram a ação. Foram presos em flagrante: Marcos Paulo, Lorran e Naizio Honorato Faria, apontado como chefe da milícia da localidade conhecida como As Casinhas, em Campo Grande.
Segundo a Polícia Civil, Lorran e Naizio já possuíam anotações criminais por envolvimento com a milícia.
A Polícia Militar informou que instaurou um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar a conduta dos três agentes e que eles foram afastados das funções pela Corregedoria da corporação.
Segundo a PM, os policiais foram convocados para prestar depoimento na 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM).
“O comando da Secretaria de Estado de Polícia Militar reitera seu total repúdio ao cometimento de crimes por parte de seus entes, apurando de maneira transparente e irrestrita cada caso sob suspeição e punindo com rigor os envolvidos quando confirmados os fatos”, afirmou a corporação.
Em nota, a Polícia Civil afirmou que policiais da 35ª DP identificaram “indícios de tentativa de substituição indevida dos custodiados” e acionaram a Polícia Judiciária Militar. As investigações seguem para esclarecer as circunstâncias do caso.








