Quarta-feira, 01/07/26

Cronograma do BC para duplicatas escriturais prevê implementação escalonada até junho de 2028

Cronograma do BC para duplicatas escriturais prevê implementação escalonada até junho de 2028
Cronograma do BC para duplicatas escriturais prevê implementação escalonada até – Reprodução

Brasília, 30 – O Banco Central publicou nesta terça-feira, 30, a linha do tempo para a implementação das duplicatas escriturais, que prevê um escalonamento até junho de 2028. O lançamento do ecossistema ocorre nesta terça-feira, em evento, em Brasília. 

A duplicata escritural é uma versão digital da duplicata tradicional, títulos emitidos pelas empresas para informar que elas têm direito a receber pagamento pela venda de um produto ou serviço. “A duplicata escritural fortalece quem produz ao ampliar o acesso ao crédito, reduzir custos e incentivar a formalização, aumentando a competitividade e a inclusão financeira das empresas”, afirma o BC, na página destinada ao instrumento. 

A partir de julho está previsto o início da fase de produção assistida dos instrumentos – etapa ainda facultativa. Em dezembro, conforme o cronograma, começará o pleno funcionamento

A linha do tempo previa a fase de autorização dos sistemas de escrituração em junho deste ano. Como resultado dessa etapa, o Banco Central autorizou B3, CERC e Núcleo para escrituração e registro. Outras infraestruturas poderão ser habilitadas após novo ciclo de testes. 

Conforme a linha do tempo, um ano após o início do ecossistema, em junho de 2027, as grandes sacadoras terão que utilizar a ferramenta. Seis meses depois, em dezembro, será a vez das médias e seis meses depois, em junho de 2028, das pequenas. A adesão voluntária de sacadores é possível já com o início da operação. 

Participantes

As sacadoras são uma das quatro figuras participantes do ecossistema. Elas representam os fornecedores, ou seja, quem vende o produto ou o serviço e passa a ter um valor a receber. É quem origina a duplicata. 

Além deles, há os compradores ou sacados, que compram o produto ou serviço e assumem a obrigação de pagamento, e os financiadores, que concedem crédito com base na duplicata negociada, antecipando recebíveis. Há ainda os sistemas de escrituração e registro, que permitem a emissão e o registro das duplicatas escriturais, de modo a facilitar sua negociação e centralizar as transações. 

Funcionamento

O processo das duplicatas escriturais começa quando o comprador (sacado) adquire uma mercadoria ou serviço. Ao vendê-la, o fornecedor (sacador) emite um documento fiscal eletrônico e, em seguida, a duplicata escritural que existe apenas em formato digital.

Essa duplicata é então escriturada e registrada em sistemas eletrônicos autorizados pelo Banco Central, o que garantirá que o crédito é válido, único e rastreável. Em seguida, o comprador pode confirmar a obrigação de pagamento. Em alguns casos previstos em lei, essa confirmação não é necessária. 

Com a duplicata registrada, ela pode ser disponibilizada para negociação. O fornecedor pode antecipar esse valor ao negociar com bancos, fintechs ou outros financiadores. Nessa etapa, ocorre a formalização da operação e a liberação dos recursos para o fornecedor.

O comprador é informado sobre a negociação e realiza o pagamento normalmente, por meio de boleto, Pix ou outro instrumento. Os sistemas de escrituração e pagamento atuam de forma integrada para direcionar corretamente o valor pago ao verdadeiro credor. Ao final, o pagamento é liquidado, encerrando o ciclo da duplicata.

Transição para o novo modelo

O período de transição para o novo modelo inclui um processo chamado tombamento, que permitirá levar para o sistema eletrônico os contratos já existentes entre financiadores e fornecedores. Com isso, esses contratos seguirão válidos e produzirão efeitos no sistemas de escrituração e registro. 

Participam do tombamento contratos relacionados a recebíveis que possam gerar duplicatas escriturais, mantendo a prioridade conforme a legislação vigente. “Esse processo torna a mudança mais segura e organizada, evitando conflitos entre operações antigas e novas, além de reforçar a transparência”, afirma o BC

Segundo o BC, com o início do sistema, as escrituradoras devem começar no novo ambiente e fazer a divulgação pública de prontidão para o início de operação com o sacador. Os financiadores devem enviar informações aos sistemas de escrituração sobre os contratos existentes em até 10 dias. 

Esses contratos são inseridos no sistema e o escriturador deve informar o sacador. Nessa etapa, deve ocorrer a eventual solução de controvérsias. Por fim, o escriturador publica a data e o início da operação com o sacador e começa a emissão no novo sistema. 

A duplicata em papel não deixa de existir com o lançamento do novo ecossistema. Ela segue válida e pode ser utilizada normalmente. No entanto, a regulamentação prevê que a duplicata escritural será de uso obrigatório para determinadas operações de crédito com instituições financeiras.

Estadão Conteúdo

T LB

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